Vacinar é preciso

Vacinar é preciso

postado em 17/09/2017 00:00
Varíola, sarampo, caxumba, paralisia infantil e tantas outras enfermidades faziam parte do dia a dia dos brasileiros. Com a cobertura vacinal, iniciada há meio século, registraram-se avanços quase milagrosos se considerarmos as dimensões continentais do país. A varíola desapareceu em 1973; a poliomielite, em 1989; a transmissão autóctone de sarampo, em 2001. A ocorrência das demais doenças vem decrescendo ano após ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as campanhas brasileiras exemplo a ser seguido.

Apesar do êxito, ou talvez graças a ele, há queda na procura por imunização. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, 53% das crianças e adolescentes de até 15 anos estão com doses em atraso. O percentual abrange cifras alarmantes: mais de 3,8 milhões de bebês de até um ano estão sem proteção, por exemplo, contra hepatite B, pneumonia, rotavírus, meningite C. Na faixa etária a partir de um ano, 4,2 milhões estão em atraso na prevenção de sarampo, catapora e caxumba. O quadro mais dramático atinge os adolescentes: 9,6 milhões deixaram para lá as vacinas contra meningite, HPV, hepatite B e febre amarela.

O fato não constitui fenômeno nacional. O Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Pediatria divulgaram em junho alerta sobre os perigos do movimento antivacina. Europeus e norte-americanos difundem a tese de que vacinas são inseguras e ineficazes por trazerem elementos tóxicos na composição. Outros métodos seriam capazes de substituí-las. A internet se encarrega de disseminar os boatos que, embora sem base científica alguma, tomam ares de verdade.

Não só. Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, alertou para o risco da divulgação em massa do conteúdo falso. De um lado, reforça a posição dos que se opõem à imunização. De outro, assusta pessoas que desistem da prevenção. Não há necessidade de bola de cristal para vislumbrar a consequência das duas posições ; a baixa da cobertura vacinal. Com ela, a volta de males erradicados e o retrocesso no avanço dos demais.

É bem-vinda, pois, a ofensiva do Ministério da Saúde para atualizar as cadernetas de vacinação e proceder à vacinação de rotina. A meta: de 11 a 22 de setembro, imunizar 47 milhões de brasileirinhos. Impõe-se conscientizar a população, especialmente os pais, para que façam o que devem fazer: além de proteger os filhos, evitar problemas para a saúde pública. Campanhas educativas e atuação efetiva dos médicos na orientação dos pacientes devem se transformar em rotina. Como disse Ricardo Barros, titular da pasta da Saúde, ;todos os dias são dias de vacina. Só assim a população estará protegida contra uma série de doenças preveníveis;.

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