Ignorância amazônica

Ignorância amazônica

» SACHA CALMON Advogado
postado em 17/09/2017 00:00
Duvido de brasileiro que não dê apoio a deixar a mata em pé em vez de plantarmos e extrairmos minerais valiosos. A desinformação é geral e acachapante. Para esses aconselho ler na Veja de 6/7/17, o artigo do Guzzo, o melhor cronista do Brasil pelo conhecimento que exibe e a forma pela qual se expressa, sem falar nos equilíbrios emocional e analítico recheados de fina ironia.

Vamos ao assunto. Fazemos lobby contra nós próprios. O senador júnior do Amapá, o menino Randolfe, recém-saído do Centro Acadêmico de Macapá, verte exsudatos pela boca poluindo o Amazonas, que deveria proteger. Esperto é o lobby do agronegócio americano no Capitólio, a convencer deputados e senadores do lema ;farms here, forests there;, ou seja, não deixem o Brasil plantar, lá é para ter índio e floresta (índio quer apito). O americano Money (os índios lá já foram mortos).

Guzzo diz bem: ;Como a agricultura brasileira pode estar ameaçando a Amazônia se a área cultivada no país inteiro é de apenas 10% do território nacional?; O argumento é irrefutável. Além disso, digo eu, 60% da maior floresta equatorial do planeta, especialmente no estado do Amazonas, na direção sul, é igapó, ou seja, o tempo todo floresta inundada. Somente esse estado tem mais floresta compactada e aguada nove meses por ano que a Europa inteira, a China toda, e até mais que a Rússia com suas florestas homogêneas do lado do círculo ártico, mesma situação do Canadá. Anda-se pelos EUA e pela Europa ocidental e a oriental (leste europeu) e não se veem nem sequer bosques rarefeitos, só tufos, por força de lei.

Aqui a histeria dos meus conterrâneos é total. Cortar uma árvore é ;crime contra a humanidade;. Somente o Rio de Janeiro tem mais matas que a Holanda, a Bélgica e Luxemburgo juntos. Os dizeres de Guzzo na Veja de duas semanas atrás são esclarecedores.

O Brasil é o maior exportador de soja, açúcar, suco de laranja, café, carne bovina e de frangos. Estamos em 2; lugar em milho, em quarto em carne suína e nas quatro primeiras posições em mais cinco cultivares, como o algodão. Vale dizer, devemos nos orgulhar do agronegócio. A produtividade agrícola alcançou a norte-americana, o que parecia impossível. O que não temos é infraestrutura, estradas e portos na região amazônica, rica em províncias minerais e rios profundos capazes de receber navios de qualquer calado. Melhor entregá-lo à iniciativa privada. O mundo sempre dependerá do Brasil e cada vez mais. Brasil e EUA serão para sempre superpotências agrícolas, altamente mecanizadas e informatizadas e, se tivermos saídas pelo Pará, a nossa logística será imbatível. Nem o PT nem os MSTs nos impedirão.

Em alguns pontos, estamos à frente dos EUA: clima, não temos neve ou gelo; o plantio direto rotativo a reduzir o uso de fertilizantes químicos e menos óleo diesel poluente. Os europeus ; na França principalmente ; pagam aos agricultores por pé de beterraba ou vaca leiteira existente (só por existir). Aqui não: quanto mais restrições aos produtores e manutenção do mato bruto e insetos, melhor! Nossos artistas que, como diz Guzzo, não sabem sequer onde está a Mantiqueira, vivem dando palpites em favor ;dos povos indígenas, dos quilombos e da preservação da floresta amazônica; (que nem sequer corre esse risco). É mito criado lá fora, financiado e inculcado na mente acrítica dos brasileiros.

Na verdade, querem aqui ;agricultura familiar;, essa besteira sem tamanho. Feijão, arroz e hortifrutigranjeiros existem cada vez mais no entorno das grandes e médias cidades. Se há um setor em que o Brasil dá lição é na ciência e nas práxis da produção de todo tipo de alimento. Essa atoarda por causa da reserva do cobre e associados foi fomentada pela esquerda e adotada pela nação, contra os próprios interesses, pois o conservacionismo é simpático, ;moderno;, charmoso.

Eles precisam de matas, nós não, as temos de norte a sul, sem falar no país fluvial, encharcado e florestado do Amazonas, que não vai acabar não, precisa até ser diminuído, onde for preciso, com bom ordenamento legal. Como está atrapalha a si mesmo (o sombreamento exagerado prejudica o nascimento e crescimento de novas árvores) e atrasa o país.
Por último, a de reserva cobre e associados (manganês e um sem número de minerais), como ocorre em Carajás, é reserva mineral que somente a União pode explorar por si e por concessão. Jamais foi, é ou será reserva florestal. Foi instituída pelos militares quando governaram o país. Era só o que faltava. Os boquirrotos não sabem do que falam, são uns ignorantes parlapatões, a começar pelo menino-senador Randolfe, do Amapá. Fica a dúvida: ignorância ou má-fé?
Até hoje fico me perguntando a razão de americanos e europeus não reflorestarem seus países. Mas continuam a comprar madeira no Canadá, Malásia e Indonésia. Ao Brasil, só nos cabe ser forest intocável.

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