360 Graus

360 Graus

por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 17/09/2017 00:00
 (foto:  Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)



Acreditem! Isso existe em Brasília!

Pois é. Existe. E bem no ;centro nervoso; da cidade. Bem ali, ao lado da Esplanada dos Ministérios, atrás do abandonado Teatro Nacional Cláudio Santoro.

Na N2 Norte, onde estão grandes edifícios como o da Confederação Nacional da Indústria ; CNI ; o Edifício Palácio da Agricultura, a Agência Nacional de Mineração, entre outros.

É uma experiência única sobrevoar aquela área de helicóptero ou de balão, como aconteceu comigo, ou até mesmo naquele inédito evento Dinner in the sky, em que colocaram uma plataforma que levava convidados a 50 metros de altura para jantar. Ao estar lá em cima, fazendo fotos e vídeos, entre o êxtase diante do entardecer de Brasília, o acender das luzes, como uma grande caixa de joias que se abre diante de nossos olhos ; conforme escrevi aqui na época ;, com o giro das câmeras e celulares, de repente, temos que esquecer a beleza do skyline, do sol se pondo diante de nossos olhos e, tristes e decepcionados, observar o que acontece bem abaixo.

Como se nos jogasse bruscamente à realidade, lá embaixo, vemos o descuido, o desprezo, o descaso com que tratam o centro da cidade, em sua região mais importante e visitada, onde acontecem ;as grandes decisões nacionais;.

Terra pura, redemoinhos de poeira, grama que já virou capim e trilheiros feitos pelos pedestres que, sem opção, pisoteiam aquela área para cortar caminho e chegar a tempo ao seu destino lá embaixo, o mais depressa possível. O resultado todos podem ver nas fotos.

Tratam aquele espaço como se estivessem numa roça, no mais longínquo rincão da pátria e não onde se edificaram tão importantes órgãos públicos do país, situados no que deveria ser ; e a poeira e a terra não deixam ; uma das maiores e mais importantes áreas de Brasília.

O desencanto daquele passeio, em 2015, está bem vivo até hoje em nossa memória, ainda mais porque, com tantos artigos publicados aqui sobre aquela área, que daria para editar um livro ou um grande manual de como cuidar da capital do país, fazendo a nossa parte, vemos, com tristeza, que de nada adiantou e tudo ficou pior do que antes.

Quando saímos do país, seja em que lugar for, Europa, Ásia ou Estados Unidos, buscamos encontrar algo igual ou parecido, até como rota de fuga que justifique o que vemos aqui, com as palavras que consolam: ;Estão vendo? Aqui também tem lugares descuidados;. Em vão! Não encontramos esses lugares. A menos que estejamos na savana africana que, por sinal, tem que ser daquela forma mesmo, habitat de animais selvagens.

Mas, e aqui? Somos o quê? Cidadãos de bem, trabalhadores que pagam seus impostos em dia, que saem de casa às seis da manhã e voltam Deus sabe a que horas.

Merecemos o que temos e vemos? Uma ;savana; poeirenta e cheia de pedras, no coração da cidade. Se lá existissem animais selvagens, pelo menos poderíamos explorar o fato como atração turística aumentando, consideravelmente, o turismo e, por consequência, o crescimento do erário público.

Nem para isso aquilo serve.


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