A paz no medo

A paz no medo

postado em 17/09/2017 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Mônica Burle, 55 anos, é uma dessas pessoas que encontraram refúgio na meditação. Sempre muito calma e tranquila, a arquiteta aposentada é do tipo que não se estressa com nada. Aos 35 anos, porém, começou a apresentar alguns sinais de ansiedade que, aos poucos, transformaram-se em síndrome do pânico.

Tudo começou com uma crise no trabalho que a fez parar no hospital. A sensação era de um ataque cardíaco. Um susto sem fim. ;Os médicos disseram que não tinha nada acontecendo comigo e fiquei espantada por ser algo da minha cabeça.; Pouco tempo depois, Mônica descobriu que estava grávida, o que lhe serviu de grande esperança e motivação para lutar contra o problema. Infelizmente, as crises persistiram e, quando passou o período de amamentação, ela trocou os medicamentos ansiolíticos por antidepressivos.

Tomada pelo medo, Mônica não conseguia ver uma saída para a síndrome do pânico. As crises faziam com que temesse a morte e, consequentemente, o abandono dos dois filhos pequenos. Contou com o apoio da família e dos amigos para lutar contra as inseguranças e sair mais resistente de cada crise. O quadro de Mônica se caracterizou como crônico. Ela lembra também que há meios alternativos de tratar o problema: ;Eu me agarrei ao tratamento alopático, mas estaria mais feliz se tivesse conseguido me tratar com homeopatia e outros métodos alternativos;.

Há quase 20 anos convivendo com transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico, o segredo, para Mônica, é viver um dia de cada vez. ;Você se sente bem até não se sentir mais. Nem sempre é fácil, mas levar a vida com leveza ajuda muito.;

Segundo a médica psiquiatra e professora da Universidade Católica de Brasília Daniele Oliveira Silva, os transtornos de ansiedade compõem a classe mais prevalente de transtornos mentais. O grupo inclui fobias, transtorno de ansiedade generalizada, pânico, ansiedade social, estresse agudo e pós-traumático. ;Eles podem evoluir para a cronicidade, trazem diferentes graus de incapacidade e, em geral, são fatores de risco para outros transtornos mentais, como depressão e abuso de álcool ou drogas.;

O transtorno do pânico, como no caso de Mônica, é caracterizado pela ocorrência de ataques de ansiedade espontâneos, inesperados e intensos, desenvolvendo a sensação de estar prestes a ter um ataque cardíaco, ou mesmo de morte iminente ou perda de controle sobre si próprio. As crises tendem a durar alguns minutos, mas são tão aterrorizantes que levam, comumente, os indivíduos a uma emergência médica. ;Não é incomum os pacientes saírem incomodados da avaliação médica diante da confirmação de que não há indícios de doença cardíaca, ou de qualquer outra natureza, que não a própria ansiedade;, conta a psiquiatra.

Encontrar a pessoa certa para conversar foi o que ajudou Mônica a seguir essa longa jornada. ;Percebi que me faz bem conversar com pessoas que passam pelas mesmas dificuldades, pois, na troca de experiências, até podemos achar graça do que passou.; Além disso, a meditação faz parte da rotina e ajuda a arquiteta a encontrar paz. ;O segredo é não cobrar ou exigir tanto de você mesmo. Precisamos nos perdoar, nos amar e aceitar quem somos;, afirma, emocionada.

Ela aprendeu a relaxar e a focar na saúde e no bem-estar. A dica de Mônica é que as pessoas procurem atividades que proporcionem alegria, além de eliminar tudo que faça qualquer mal. E, com um sorriso no rosto, conta que hoje vive bem com crises menos recorrentes. ;Nossa forma de pensar nos guia para o melhor caminho;, ressalta.

São muitos os tratamentos disponíveis para os transtornos de ansiedade e suas vertentes. Situações menos graves e mais recentes podem se beneficiar das diversas abordagens de psicoterapia disponíveis. ;Sempre que se observar a manutenção dos sintomas, um psiquiatra deverá ser consultado na hipótese da necessidade de intervenção farmacológica;, explica Daniele Oliveira Silva.

Atualmente, assim como Mônica, muitas pessoas têm valorizado e investido fortemente na mudança de alguns hábitos nocivos de vida ; estresse demasiado, falta de atividade física, sono e alimentação inadequados. Seja para prevenir o adoecimento, seja para contribuir com o tratamento. ;É fundamental termos em mente que prevenir o adoecimento mental será sempre o melhor ;remédio;;, afirma a psiquiatra.

Roendo unha

A onicogafia, mais popularmente conhecida como o hábito de roer unha, pode ter como causa o transtorno de ansiedade. Em uma pesquisa recente publicada na revista Iranian Journal Of Medical Sciences, foi descoberto que pelo menos 30% da população mundial têm o hábito, que afeta qualquer faixa etária ; desde a adolescência até a idade adulta.

Luciano Morgado, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o quadro acomete cerca de 10% dos adultos. Nas crianças e adolescentes, o número aumenta consideravelmente, chegando a 60%. ;Em muitos casos, não conseguimos descobrir a causa dermatológica, como micose ou doenças específicas da unha. Depois de algumas perguntas, percebemos que o problema está diretamente relacionado à ansiedade.;

Isso ocorre quando as pessoas descarregam seus medos e inseguranças roendo as unhas ou arrancando cutículas ao redor dos dedos. Como consequência, o risco pode ser maior. ;Infecções locais ou sistêmicas podem surgir decorrentes de bactérias ou fungos.; Luciano explica que, do ponto de vista dermatológico, os médicos tentam controlar os processos infecciosos com tratamentos específicos, além de, principalmente, orientar o paciente a procurar ajuda psicológica para eliminar o problema.

A prevenção como cura

Em casos mais graves, medicamentos e terapia ajudam a resolver o problema, mas a prevenção ainda continua a ser um método bastante eficaz. Confira algumas dicas de profissionais de saúde:


Reduza o estresse

  • Muitas vezes, a mudança de atitude em relação ao problema ajuda a resolvê-lo melhor. Enxergar a vida de forma mais otimista, encarando o problema apenas como uma dificuldade, e não como o fim, faz com que você tenha mais condições de resolvê-lo.

Reserve um tempo para você

  • Reservar algum tempo para fazer tarefas de que você goste ajuda a ter mais qualidade de vida.


Confie em você mesmo

  • Quando projetamos no outro as nossas expectativas, as chances de frustração s

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