Estado de sítio

Estado de sítio

Por Márcio Cotrim
postado em 17/09/2017 00:00
A origem dessa expressão restritiva remete ao decreto napoleônico de 24 de dezembro de 1811, que previa a possibilidade da implantação de uma medida política então denominada estado de sítio. O imperador poderia declará-lo independentemente da situação efetiva de uma cidade sitiada ou, internamente, ameaçada por forças inimigas.

A evolução do novo instituto é a história de sua progressiva emancipação como providência extraordinária de polícia em caso de desordens e sedições internas. Trata-se de moderno estado de exceção num contexto democrático emergencial, nada a ver com a tradição absolutista.
Durante sua vigência, o governo assume poderes excepcionais, suspendendo as garantias previstas na

Constituição. Por assim dizer, limita, sitia as liberdades individuais por determinado prazo, explicitado ou não, até a cessação da causa que lhe deu origem. O Brasil já provou várias vezes esse remédio amargo, mas a terapia nem sempre se mostrou eficaz. Que o digam suas vítimas conhecidas e desconhecidas...

Café ; Essa aromática bebida, de tantas propriedades tonificantes, sempre provocou paixões e controvérsias. Seu berço, ainda hoje discutível, pode ter sido Kaffa, na Etiópia, lá pelo século 6. Diz a lenda que um pastor chamado Kaldi assustou-se ao ver seus animais muito agitados e descobriu a causa: umas frutinhas vermelhas que eles haviam comido. Pensando ser coisa do diabo, pediu ajuda num mosteiro. Embora os monges tenham apreciado os grãos, a bebida foi considerada demoníaca, a ponto de ser proibida pela igreja, mas o papa, apreciador de um bom café, a absolveu e libertou-lhe o consumo pelos católicos. Outros defendem que o café se tenha originado do árabe Karah ou Gavah. Outros, ainda, acham que pode ter vindo do turco Kaveh ou Kaveh, daí café.

O hábito de tomar café se desenvolveu na cultura árabe, inclusive como alimento para os rebanhos durante longas viagens. Em 1475, uma lei permitiu à mulher muçulmana pedir o divórcio se seu marido não lhe conseguisse prover uma quantidade diária de café, veja você. Na mesma época, o governador de Meca tentou-lhe impedir o consumo. Ao saber da medida, o sultão oficializou o café como bebida sagrada e condenou o governador à morte! No século 18, as cafeterias se tornaram populares na Europa. Jovens passavam tardes inteiras em torno de xícaras de café declamando poemas e discutindo o destino das nações. Foi nesse clima que Johann Sebastian Bach compôs uma festejada Cantata do Café.

O café chegou ao Brasil em 1727, a partir de uma muda trazida por Francisco de Melo Palheta. Em sua trajetória, passou por Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo e acabou tornando-se o produto-base de nossa economia e principal item da pauta de exportação do país. Uma das manias nacionais, o cafezinho continua a ser cordial presença em toda reunião social e de trabalho. Tão emblemático que quando uma importante autoridade está prestes a deixar o posto, por mais que implore, não consegue um mísero contínuo que lhe sirva a preciosa rubiácea...

Cantata ; Trata-se de composição musical vocal e instrumental estruturada em árias, cores e recitativos. O berço da palavra é o italiano cantata, composição poética para ser cantada. As primeiras foram amorosas. Eram serenatas sob a janela onde dormia a amada. O costume remonta aos trovadores medievais, que raramente iam sozinhos. Amigos cantantes os acompanhavam e, em coro, proferiam palavras de amor para amolecer o coração das mulheres.

O gênero foi muito explorado no período barroco por compositores como Bach, que escreveu mais de 200 cantatas, algumas eternizadas, como é o caso do coral Jesu bleibet meine Freunde (Jesus, alegria dos homens). Depois de certo retraimento, a cantata retornou vigorosamente no século 20, destacando-se o compositor Carl Orff, que se notabilizou com Carmina Burana, peça muito apreciada nas melhores audições eruditas. Entre nós, as cantatas de Natal continuam comovendo famílias inteiras e emoldurando o encanto de Papai Noel;

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