Terrorismo volta a matar na França

Terrorismo volta a matar na França

Homem esfaqueia e assassina duas mulheres, em Marselha, antes de ser abatido pela polícia francesa. Estado Islâmico assume a autoria do atentado. Presidente Emmanuel Macron condena %u201Cato bárbaro%u201D e elogia agentes

postado em 02/10/2017 00:00
 (foto: Paul-Louis Leger/AFP)
(foto: Paul-Louis Leger/AFP)


Em alerta máximo contra ataques terroristas desde janeiro de 2015, a França voltou a ser alvo de um atentado. Às 13h45 (8h45 em Brasília), um homem matou, a facadas, duas mulheres na principal estação de trem de Marselha, a 770km de Paris, e foi abatido em seguida por agentes da operação antiterrorista Sentinela. Segundo um policial, o suspeito gritou ;Allahu Akbar; (;Alá é maior;), antes de avançar sobre as vítimas. O Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do atentado em mensagem divulgada pela Amaq, a agência de notícias do grupo terrorista. O presidente francês, Emmanuel Macron, se expressou, por meio do Twitter: ;Profundamente indignado com esse ato bárbaro, solidário com as famílias e amigos das vítimas de Marselha. Saúdo os militares da Sentilena e os policiais, que reagiram com sangue frio e eficiência;, escreveu.

O Ministério Público francês, que assume os casos de terrorismo no país, anunciou a abertura de investigação por ;assassinatos vinculados a uma organização terrorista; e ;tentativa de assassinato de um funcionário público;, embora as autoridades tenham dito que as motivações do agressor não estão completamente claras. ;Esse ato pode ter sido de natureza terrorista, mas, no momento, não podemos afirmar isso;, declarou o ministro do Interior, G;rard Collomb, responsável pela segurança doméstica. Em Marselha, onde chegou no fim da tarde, o chefe da pasta não identificou o homem, nem as vítimas, dizendo apenas que elas eram mulheres jovens. Já o prefeito da cidade, Jean-Claude Gaudin, afirmou aos repórteres que o agressor parecia usar diversas identidades.

Imagens de vídeo do circuito de segurança da estação deverão ajudar nas investigações. Diversas testemunhas contaram que o homem gritou ;Allahu Akbar; e atacou as vítimas. ;O estranho no vídeo é que a pessoa começa a cometer o crime em uma primeira vítima, então corre e se volta para matar a segunda;, revelou Collomb. Ele contou que uma patrulha da Sentinela se deslocou rapidamente à cena do crime, após ouvir gritos de pânico e ver as pessoas correndo. O agressor foi morto no local.

Testemunha
;Ouvi um grito e vi uma pessoa no chão;, relatou ao jornal Le Parisien uma jovem de 18 anos, identificada como Mélanie. Ela estava na praça, em frente à estação, e disse ter ouvido o homem gritando a frase em árabe. ;Ele parecia estar vestido de preto. Houve um pequeno intervalo antes que as pessoas começassem a correr. A polícia chegou muito rapidamente.; À agência France-Presse, uma mulher chamada Jeanne, 33, disse que, dentro da estação, antes de tentarem escapar, as pessoas pareciam incrédulas. ;Homens que não se vestiam como militares, talvez policiais à paisana, gritavam para sairmos. Mas muitos não se mexiam.;

O novo ataque ocorre dois dias antes de a Assembleia Nacional votar um controverso projeto de lei antiterrorista. A legislação busca introduzir no direito comum medidas do estado de emergência instaurado pelo ex-governo socialista após os atentados de 13 de novembro de 2015, em Paris. ;Diante dessas mortes bárbaras, nossa esperança é (...) que consideremos, enfim, o terrorismo como o que é: um ato de guerra;, reagiu a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, durante discurso em Poitiers.

;Marselha chora por suas pobres vítimas. O assassino (é) tão repugnante quanto seus motivos;, declarou, no Twitter, o deputado pela cidade e líder do partido França Insubmissa (esquerda radical), Jean-Luc Mélenchon. Também pelo site, o primeiro-ministro, Edouard Philippe, mostrou-se indignado e mandou um recado aos terroristas: ;Raiva e tristeza pelas vítimas. Apoio a soldados e policiais sentinelas que nos protegem. Nós não baixaremos a guarda;, escreveu.




"Profundamente indignado com esse ato bárbaro, solidário com as famílias e amigos das vítimas de Marselha;
Emmanuel Macron, presidente da França




Alvo do extremismo

Nos últimos dois anos, jihadistas deixaram 240 mortos na França


7 a 9 de janeiro de 2015
Dois jihadistas invadem a redação da revista satírica Charlie Hebdo, matando 17, em Paris. No dia seguinte, outro militante assassina uma policial e faz reféns em mercado. Quatro morrem.



13 de novembro de 2015
Extremistas do Estado Islâmico armados com bombas e fuzis atacam o Stade de France, cafeterias e a casa de shows Bataclan, em Paris. Os atentados deixam 130 mortos e 350 feridos.


13 de junho de 2016
Um jihadista esfaqueia e mata dois policiais, em Magnanville, a oeste de Paris. Ele declara lealdade ao Estado Islâmico e é abatido por outro agente.



14 de julho de 2016
Um terrorista usa um caminhão-baú para atropelar e matar 86 pessoas no calçadão de Nice, durante desfile do Dia da Bastilha. O motorista, um tunisiano, é morto pela polícia.


26 de julho de 2016
Dois atacantes degolam o padre Jacques Hamel, 85 anos, durante missa na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia. Eles são mortos pela polícia.


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