Lucro chega a 30%

Lucro chega a 30%

postado em 02/10/2017 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


Na Fazenda Santo Antônio de Baixo, na zona rural do município de Luziânia (GO), Flávio de Abreu Brito produz 20 toneladas de tilápia por mês. São 36 tanques em uma área de 6,8 hectares de lâminas de água. O peixe é distribuído para cerca de 50 estabelecimentos, entre supermercados, frigoríficos, peixarias e pesque-pagues, no Distrito Federal e no estado de Goiás. O diferencial do empreendimento é a regularidade das entregas, diretamente aos clientes, sem atravessadores. ;Hoje, é uma atividade econômica rentável, e o lucro líquido pode chegar a 30%;, afirma o criador.

Até chegar a ter ganhos consistentes na atividade, Brito percorreu um longo caminho. Foram quase 10 anos desde que começou a se interessar pela tilapicultura até conseguir colocar o produto no mercado regularmente. A princípio, ele se entusiasmou com a perspectiva de poder produzir toneladas do peixe em pouco espaço de terra. A realidade começou a se estruturar quando o produtor participou do primeiro curso sobre o tema, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-GO), e conheceu o passo a passo para a criação de peixes.

A criação de tilápias começou com quatro mil alevinos, como são chamados os filhotes da espécie, que foram distribuídos por três tanques escavados, com cerca de 1m60 de profundidade. Um ano depois, Brito contabilizou a perda de 80% da criação. O fracasso se transformou em desafio. O produtor revisou processos, caprichou na capacitação, buscou consultoria especializada e identificou os erros cometidos. ;Durante o primeiro ano de trabalho, não enxerguei direito os fatores que poderiam prejudicar a criação, como a predação de pássaros, a qualidade da água e a falta ou o excesso de ração;, explica.

No segundo ano do empreendimento, Brito aprofundou-se na capacitação para dominar a complexidade do processo. A maior urgência, descobriu, era investir na qualidade da água dos tanques, elemento fundamental para o bem-estar dos peixes. ;O preparo dos tanques começa muito antes da colocação dos alevinos, com a limpeza, a adubação e o controle do PH da água. Fazemos a análise de três em três dias e a temperatura ideal deve ficar em torno de 26 graus centígrados;, informa.

Crise hídrica

O criador também sofreu no ano passado, com a crise hídrica que assolou a região. Em pouco tempo, Brito viu a baixa de água comprometer o negócio. O jeito foi segurar a produção, ao mesmo tempo em que fazia o reflorestamento da área que cerca a fazenda, para facilitar a infiltração da água da chuva no solo, permitindo, assim, o reabastecimento do lençol freático. ;Agora, a chuva vai ajudar a renovar a água dos tanques;, comemora.

Para garantir a produção regular de tilápias, Flávio Brito investe na capacitação dos sete funcionários da fazenda e em tecnologias que ajudam a potencializar os processos de criação, como o aerador, um aparelho para oxigenar a água e permitir maior adensamento de peixes em cada tanque. Monitorar o nível de oxigênio e o índice de alcalinidade passaram a fazer parte da rotina dos funcionários. A fazenda dispõe, inclusive, de oxigênio em pó para ser usado em situações emergenciais, como a falta de energia elétrica nos geradores. Todo o material é esterilizado antes de ser usado.

A exemplo de muitos criadores da região geoeconômica do DF, o maior desafio de Brito é enfrentar a concorrência de criadores informais, pessoas que tentam negociar uma produção nem sempre de boa qualidade, a preços inferiores aos praticados no mercado. ;Criar peixe não é fácil. Mas muita gente ainda pensa que é só cavar um buraco, colocar água e jogar os alevinos. A capacitação ajuda a separar os profissionais dos aventureiros;, resume o zootecnista Vyctor Guarnnyery de Oliveira Lopes, instrutor de Piscicultura do Senar-GO. (MG)

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