A 4ª Revolução Industrial e o desenvolvimento sustentável

A 4ª Revolução Industrial e o desenvolvimento sustentável

» LILIANE ROCHA Fundadora e presidente da Gestão Kairós, consultoria de sustentabilidade e diversidade
postado em 02/10/2017 00:00
Vivemos um momento de avanço tecnológico extremamente acelerado. Pela perspectiva matemática, esses avanços são exponenciais e impactam severamente a sociedade, como um todo, as empresas, os governos e os indivíduos. Esse fenômeno tem sido denominado por diversos estudiosos como a 4ª Revolução Industrial. Entre os expoentes dessa teoria, está Klaus Schwab, economista alemão criador do Fórum Econômico Mundial, que analisa diversas perspectivas desse acontecimento, que causa impactos ao desenvolvimento econômico global. Mas, afinal, de que forma essa revolução tem impactado a sociedade e o meio ambiente? Por definição, uma revolução é um momento histórico em que diversas perspectivas de uma sociedade sofrem intensas modificações. No caso da quarta revolução, marcada por rupturas, como a inteligência artificial, a nanotecnologia, a biotecnologia, a impressora 3D, entre outros avanços, notamos que os processos educativos de construção de conhecimento, as relações sociais, o trabalho (e os negócios) e com o meio ambiente estão mudando radicalmente. Todas as empresas e todos os indivíduos estão sendo impactados de alguma forma por essas transformações, porém, não com a mesma intensidade e com as mesmas consequências. Algumas empresas e indivíduos terão a vida transformada negativamente com um crescimento da desigualdade social, concentração de recursos e extinção dos seus ramos de atividades %u2014 essas pessoas são denominadas, por Klaus Schwab, como o "lado perdedor" da globalização. Em contrapartida, o acesso à informação, a cuidados médicos e a alimentos, e a própria capacidade humana, seja física ou mental, poderão e já estão sendo expandidos pelo uso de tecnologias que, cada vez mais, estarão acessíveis ao cidadão comum. O que temos hoje é que, independentemente do segmento de atuação da empresa ou da área em que a pessoa trabalhe, ela será impactada pelo desenvolvimento das tecnologias exponenciais, ou seja, pelo processo de revolução. Consequentemente, todo o macroambiente será afetado também. Não há rota de fuga. Esse processo está instaurado e será contínuo até que novo Big Bang inicie outro processo de revolução. Ainda não sabemos qual o lado da balança pesará mais. Mas o que sabemos é que, se não pensarmos nos diversos impactos dessas transformações, trazendo-as para uma discussão coletiva e consciente, correremos o risco de perder o prazo para a correção das rotas, tanto do ponto de vista social quanto ambiental, e de posicionamento de negócios e carreira. E o que sabemos é que a balança não terá a mesma composição no mundo todo. Ela se equilibrará de diversos modos em cada país e, dentro deles, de modo diferente. Teremos, simultaneamente, nos grandes centros urbanos, comportamentos da idade média e da quarta revolução industrial. Na verdade, estamos vendo isso acontecer. Para minimizar o impacto desses comportamentos daqui para a frente, faz-se necessário que as pessoas atuem de forma coordenada e conjunta para que a quarta revolução industrial seja intrínseca e obrigatoriamente sustentável, e, principalmente, que elas comecem a agir com mais "empatia", que nada mais é do que a forma como eu me relaciono com aqueles que não fazem parte das minhas relações sociais diretas, mas estão conectados comigo no sistema global em que vivemos. Com isso, quem sabe, os impactos dessa revolução resultem em benefícios para todo o mundo.

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