Carnes e frutas pressionam carestia

Carnes e frutas pressionam carestia

Rodolfo Costa
postado em 07/10/2017 00:00
 (foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press
)
(foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press )


A variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu. Após um desempenho muito positivo dos preços em agosto, a mediana das expectativas de analistas consultados pelo Banco Central (BC) apontava para alta de 0,10%. O resultado oficial, de 0,16%, veio pressionado, principalmente, pelos custos com gasolina, passagens aéreas, gás de botijão e plano de saúde. Juntos, contribuíram com 0,19 ponto percentual para o resultado no mês.

Mas foi a reversão de uma deflação para inflação de alimentos importantes ao consumo das famílias, como carnes e frutas, que mais chamou a atenção. De agosto para setembro, os gastos médios com carnes saíram de um recuo de 1,75% para uma alta de 1,25%. O mesmo movimento ocorreu com os preços médios das frutas, que apresentaram queda de 2,57% há dois meses, e subiram para 1,74% no mês passado.

As duas subcategorias de alimentos pressionaram o grupo de alimentação e bebidas, que responde por 25% do IPCA. Embora tenha continuado em deflação, ou seja, queda de preços, de 0,41%, o recuo foi menos intenso do que o registrado em julho, de 1,07%. Para os próximos três meses, analistas avaliam que as despesas com refeições devem subir. Sobretudo as feitas em casa.

Dadas as condições de desaceleração da oferta de alimentos, em face de um natural e característico aumento na demanda no fim do ano, o mercado prevê uma inflação da alimentação no domicílio entre 0,60% e 0,70% no último trimestre. A expectativa de pressão de custos preocupa a técnica de enfermagem Lahenia Oliveira, 31 anos, que tem comparado mais os preços como alternativa para driblar a alta. ;É uma boa escolha. Às vezes, acabava pagando mais caro em um supermercado, enquanto em outro comércio os preços estavam menores;, disse.

Embora tenham parcela significativa no custo de vida, não foram apenas os gastos com comida que pressionaram a carestia em setembro e devem ficar no radar dos analistas nos próximos meses. No mês passado, os gastos com serviços subiram, em média, 0,50%. Em agosto, a variação foi de apenas 0,01%. O resultado foi puxado, sobretudo, pelas despesas com tarifas aéreas, que apresentaram alta de 21,90%.

Além das passagens, pressionaram o grupo de serviços os gastos com empregado doméstico, telefone celular, e serviços bancários. Juntos, os quatro itens registraram uma contribuição de 0,12 ponto percentual. A sensação do motorista Ricardo Cavalcanti, 42 anos, é que a inflação está disseminada. ;O plano de saúde, por exemplo, está caríssimo;, criticou, após o convênio dele, da mulher e da filha subir para R$ 3 mil.

Outro gasto que preocupa é o com a energia elétrica. Por mais que o custo do insumo tenha caído 2,48% em setembro, a possibilidade de mudança na bandeira preocupa Cavalcanti. ;É um aumento que me preocupa bastante. Para mim, é abusivo. Cada dia aparece algo para pagarmos. E o brasileiro acaba sendo penalizado com o aumento da inflação;, criticou.

Em Brasília, a carestia se descola ainda mais da média nacional. Na capital federal, o IPCA subiu 0,22% em setembro. No acumulado em 12 meses, a alta registrada foi de 3,99%. É a maior taxa entre as 13 capitais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conjuntura
A preocupação dos consumidores com os preços é uma situação natural em meio às atuais condições da conjuntura econômica. Embora o mercado de trabalho esteja dando sinais de melhora, e absorvendo chefes de família sem emprego, muitas pessoas ainda estão em busca de uma vaga. Então, qualquer aumento de preços obriga os consumidores a sacrificar gastos com outros bens e serviços para acomodar produtos essenciais, como os alimentos, ressalta o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes.

;O alimento é quase uma tarifa. Não dá para fugir do pagamento;, destacou o economista. Diante da necessidade básica de se alimentar, os consumidores precisam ir sempre aos supermercados e ter espaço no orçamento para assegurar o pagamento. ;Mais do que a inflação baixa, a queda de custos com produtos nos supermercados alimentam o bem-estar das famílias;, ressaltou. (colaborou Adriana Botelho)

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