Ele viveu o inferno

Ele viveu o inferno

postado em 07/10/2017 00:00
;Eu tinha 21 anos e era policial em Hiroshima. À época, eu era homem muito forte. Por isso, não morri. A bomba atômica caiu a 1.300m de onde eu estava, no centro da cidade. Naquele 6 de agosto de 1945, o tempo estava muito bom, quentinho, como no Brasil. Às 8h, eu e 12 colegas andávamos pela rua. De repente, tudo ficou muito claro. Não vi avião, nem nada. Tudo ficou muito quente. Caí e, quando me levantei, tudo estava destruído. Uma velhinha chegou e disse: ;Soldado, por favor, lá dentro há crianças;. Salvei algumas pessoas. Ao meio-dia, o tempo estava muito claro e veio uma chuva preta bastante forte. Grande parte da cidade ficou destruída. Dois dias depois, caí de novo, muito machucado.
O Nobel é muito importante. O mundo precisa de paz. Não ter guerra. Se a guerra começar hoje, o horror será mil vezes maior do que o que ocorreu em Hiroshima e em Nagasaki. Uma bomba atômica matou toda a cidade. As bombas de hoje são mil vezes mais fortes. Se a guerra começar hoje, o mundo acabará. Minha missão é dizer ;Nunca mais à guerra, precisamos da paz;. Precisamos da paz mesmo, né?;

; Takashi Morita, 93 anos, é sobrevivente da explosão da bomba nuclear em Hiroshima. Vive em São Paulo desde 1956, onde fundou a Associação Hibakusha Brasil pela Paz

Ajuda brasileira
;Minha participação na Ican remonta ao fim de 2010. Eu trabalho desde 2004 no tema do desarmamento humanitário das armas convencionais. Eu trabalhava com a Campanha Internacional para Banir Minas Terrestres (ICBL), que ganhou o Nobel em 1997, e com a Coalizão contra as Munições Cluster. Há sete anos, eu me envolvi com o movimento pelo reconhecimento do impacto catastrófico humanitário de eventual detonação nuclear. Participei de conferências, reuniões e processos de sensibilização. Desde 2014, sou o único brasileiro no Comitê Gestor da Ican, que tem como função o direcionamento político e administrativo.
O Nobel da Paz é um reconhecimento dos efeitos catastróficos dessas armas e aos esforços dos sobreviventes de explosões. Não importa quem as detenha, elas nunca deveriam ter existido. Os esforços devem ser para a sua erradicação. Na semana passada, recebemos um e-mail, alertando que deveríamos estar preparados. Não demos tanta importância. Hoje (ontem) de madrugada, ao receber o telefonema com o anúncio do prêmio, fiquei louco (risos). Ainda não caiu a ficha.;

; Cristian Wittmann, doutor em direito, professor da Universidade Federal do Pampa, em Bagé (RS), e membro do Comitê Gestor da Ican

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