Novos desafios para a segurança global

Novos desafios para a segurança global

por Silvio Queiroz silvioqueiroz.df.@dabr.com.br
postado em 07/10/2017 00:00
 (foto: Joao Salamonde/Divulgação)
(foto: Joao Salamonde/Divulgação)


A situação criada pelo pôquer nuclear entre Estados Unidos e Coreia do Norte ; sem falar na ameaça de um recuo no acordo que permitiu congelar o programa de armas atômicas do Irã, firmado dois anos atrás ; está no radar da alta representante da União Europeia (UE) para Política Externa e Defesa, Federica Mogherini. Foi a mensagem que trouxe ao Brasil, na semana passada, a assessora especial de Mogherini, Nathalie Tocci, uma das convidadas para discutir os desafios da segurança global em um dos eventos mais prestigiados desse âmbito, no cenário internacional.
Nathalie Tocci representou Mogherini, na sexta-feira da semana passada, na Conferência do Forte de Copacabana, que se reúne anualmente no Rio de Janeiro para examinar temas de interesse de governos, instituições acadêmicas e estudiosos envolvidos com as questões de segurança e defesa do ponto de vista multilateral. O evento é organizado pela Fundação Konrad Adenauer, instituto de estudos políticos mantido pela União Democrata Cristã (CDU), da Alemanha, e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), com apoio da Delegação da União Europeia no Brasil.
Em tempos nos quais os Estados Unidos, sob o governo do imprevisível Donald Trump, trocam ameaças crescentes e repetidas com a Coreia do Norte, do igualmente insondável Kim Jong-un, a alta funcionária europeia ressalta a necessidade de construir outros canais e parcerias no âmbito internacional, inclusive com a América do Sul. Em entrevista concedida por e-mail, Nathalie Tocci analisa o momento de transição na ordem mundial, entre o regime bipolar da Guerra Fria e o atual sistema multipolar ainda sem contornos e parâmetros suficientemente definidos. E aponta a necessidade de que se negociem mecanismos multilaterais de desarmamento e controle da proliferação de armas.

Quais são hoje os maiores desafios à segurança global, do ponto de vista europeu?
O mundo está em transição. Formas antigas de poder e de equilíbrio estão saindo de cena, sem que se estabilize um nova ordem internacional ou um novo sistema de garantias para essa ordem. Nesse processo de transição, as ameaças antigas ; guerras civis, crises de proliferação de armas ; se mesclam às novas ; ciberataques, transição energética. Mas o maior desafio é a ausência de um sistema multilateral e global, internacionalmente aceito, para lidar com a nova realidade.

De que maneira a atual escalada de tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte pode complicar ou ameaçar os esforços da União Europeia para construir uma nova estratégia de segurança?
A escalada nuclear com a Coreia do Norte é uma ameaça à paz global e, portanto, afeta tanto a UE quanto a América do Sul. No que diz respeito à Europa, esse processo coloca ainda mais em evidência a urgência de colocar em vigor um sistema de controle de armas, de prevenção da proliferação de armas nucleares e de desarmamento multilateral.

A Europa tem assistido à ascensão de forças nacionalistas de extrema-direita, opostas a políticas comuns da UE para muitos temas. Em que medida isso preocupa a alta representante para Política Exerna, Federica Mogherini?
A ascensão do populismo nacionalista é hoje, certamente, uma grande preocupação da UE. Felizmente, as forças eurocéticas não têm demonstrado muito interesse pela política europeia de defesa e segurança. Em outras palavras: essa tem sido uma área amplamente intocada pelo euroceticismo. Em parte, isso explica por que foi possível fazer tantos progressos nos últimos dois anos.

Como você avalia as perspectivas da UE para discutir acertos de alcance global com os Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump?
Com um governo imprevisível nos EUA, torna-se ainda mais essencial para a UE forjar parcerias globais também com outros atores, sejam países individuais, organizações de âmbito regional ou mesmo a Organização das Nações Unidas.

;A escalada nuclear com a Coreia do Norte é uma ameaça à paz global e, portanto, afeta tanto a UE quanto a América do Sul;

;A ascensão
do populismo nacionalista é
hoje, certamente, uma grande preocupação da UE;

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