Fuga de capitais

Fuga de capitais

Com apoio de Madri, empresas mudam sede de Barcelona para evitar impacto da secessão

postado em 07/10/2017 00:00
 (foto: Lluis Gene/AF
)
(foto: Lluis Gene/AF )


Diante da iminente declaração unilateral de independência pelo governo da Catalunha, várias empresas começam a deixar Barcelona para preservar os interesses de acionistas, clientes e funcionários. Para estimular a evasão e pressionar os separatistas, a Espanha aprovou ontem decreto que facilita a mudança do domínio legal de empresas para fora da região autônoma. Irredutível, o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, adiou para terça-feira a sessão plenária do parlamento regional que deve formalizar a secessão. A decisão se seguiu à iniciativa do Tribunal Constitucional espanhol de suspender a sessão programada para segunda-feira.

O decreto do Ministério da Economia espanhol vale a partir de hoje e beneficia empresas como Service Point, Dogi, Medionalun y Arquia Banca, o banco Sabadell e a Gas Natural Fenosa, que decidiram deixar a região catalã. O CaixaBank, terceiro maior banco do país, pretende mudar a sede de Barcelona, sob o argumento de proteger a segurança jurídica e regulatória. Na quinta-feira, o Sabadell, segundo maior banco da Catalunha, tinha anunciado a mudança da sede para a vizinha região de Valência.

O ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, explicou à imprensa ter baixado o decreto em atendimento às demandas dos empresários, preocupados com as incertezas geradas por essa que é uma das maiores crises da história recente do país. ;As políticas irresponsáveis do Executivo separatista catalão são algo que gera preocupação, que gera incerteza, e isso é o pior que pode haver no mundo empresarial;, afirmou. A principal alteração promovida pelo decreto é que a mudança da sede social de uma empresa passa a depender de aprovação do conselho administrativo, e não da junta geral de acionistas, mais difícil de se reunir.

Mediação

A possível consolidação da independência da Catalunha preocupa também o funcionário da União Europeia Günther Oettinger. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, ele alertou para o risco de um conflito armado na Espanha. ;A situação é perturbadora. Uma guerra civil está se erguendo no coração da Europa;, disse, em Munique. ;Só podemos esperar que sea abra uma conversação entre Madri e Barcelona;, acrescentou, observando que a União Europeia só pode assumir o papel de mediadora ;se lhe pedirem;. Uma proposta de mediação foi feita pelo líder catalão, Carles Puigdemont, mas o premiê espanhol, Mariano Rajoy, negou-se a negociar enquanto os catalães mantiverem o propósito de secessão.

Os comandos da Polícia Nacional e da Guarda Civil anunciaram que unidades destacadas para a Catalunha permanecerão na região por mais uma semana, coincidindo com o período da possível declaração unilateral de independência.

O ex-presidente catalão Artur Mas, em entrevista ao Financial Times, afirmou que a região autônoma ainda não reúne as condições necessárias para declarar a independência. ;Para isso, são necessárias algumas coisas que ainda não temos;, ponderou. Ele considera, porém, que a Catalunha ;ganhou o direito de ser independente;. A questão, segundo Mas, é ;como exercer esse direito. Nesse ponto, obviamente, há decisões a tomar, e é preciso ter em mente um objetivo: não se trata apenas de proclamar a independência, mas de nos convertermos num país independente;.

Não se trata apenas de proclamar a independência, mas de nos convertermos num país independente;

Artur Mas, ex-presidente regional da Catalunha

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