Marcelo Lacombe, 42

Marcelo Lacombe, 42

MAYARA SUBTIL ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 07/10/2017 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
;Sensacional;. Assim a servidora pública Samanta Pires Yamaguchi, 42 anos, define o marido, Marcelo Barroso Lacombe, 52. A maior qualidade dele era a dedicação, segundo a mulher. ;Quando ele se empolgava com algo, não tinha quem o tirasse do lugar. Marcelo era dedicado demais. Merece aplausos;, ressalta Samanta.

Consultor legislativo da Câmara dos Deputados desde 1992, Marcelo amava os livros. Quando estava em casa, na QI 17 do Lago Sul, doava 80% do tempo à biblioteca da família. Vivia debruçado em anotações, artigos e textos. Formado em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), era mestre e doutor em ciência política. Seus temas preferidos envolviam história do sistema de governo e controle parlamentar de assuntos militares. ;Ele amava ler. Tinha um acervo que nem eu sabia;, conta a mulher.

Os problemas de saúde apareceram há um ano. Marcelo reclamava de fortes dores na coluna e, por dizer que não tinha tempo de ir ao médico, recorreu à automedicação. Chegou a ir a um ortopedista, que só lhe receitava antinflamatórios. Mas o problema não estava na coluna. Um dia antes de falecer, as pernas de Marcelo ficaram paralisadas, pois não conseguia levantar com tamanha dor.

Como um ultimato para que ele se tratasse, Samanta, a mulher, decidiu levá-lo ao hospital. ;Quando chegamos no Daher, ele seguiu direto para a UTI. Ali, Marcelo percebeu a gravidade. O médico que o atendeu disse que não tinha nada na coluna. Marcelo estava com infecção urinária;, relata a servidora.

Antes da internação, não houve troca de palavras. Marcelo apenas tocou suavemente a mão de Samanta, como um sinal de despedida. ;Ele tremia de medo. Nós andávamos de mãos dadas sempre. E foi o que ele fez antes de ir embora. Nunca vou me esquecer;, afirma Samanta Yamaguchi.

Marcelo morreu por infecção urinária em estágio avançado, na manhã da última quinta-feira, na UTI do Hospital Daher. Além da mulher, deixou o filho Miguel, 4 anos. O velório aconteceu ontem, no Seminário Maior Arquidiocesano de Brasília, no Lago Sul. O corpo será cremado hoje, às 11h, no Crematório Jardim Metropolitano, em Valparaíso (GO).

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