Caixa reabre linha de crédito para quem tem salário de até R$ 4 mil

Caixa reabre linha de crédito para quem tem salário de até R$ 4 mil

Recurso atenderá a faixa 2 do Programa Minha Casa Minha Vida, para famílias com renda bruta mensal de até R$ 4 mil. Banco já emprestou R$ 72,4 bilhões neste ano

Anna Russi* Adriana Botelho*
postado em 08/11/2017 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press
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(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )


A Caixa Econômica Federal vai liberar, até 30 de novembro, mais de R$ 8,7 bilhões em recursos de orçamentos suplementares do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o crédito imobiliário Pessoa Física e Apoio à Produção. O objetivo do banco é garantir recursos suficientes para normalizar o ritmo de contratações do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV)para famílias com renda familiar bruta mensal de até R$ 4 mil, faixa 2.

Com o propósito de restringir o crédito imobiliário, a Caixa anunciou, em setembro, mudanças nas regras, como a exigência de 50% do valor do imóvel como entrada, e não mais 30%, para imóveis usados financiados com recursos da poupança. Essa modificação travou os empréstimos e alguns compradores ficaram sujeitos a perder o imóvel.

De acordo com a Caixa, os contratos que seriam finalizados pelas agências antes das medidas que restringiram o valor emprestado, cujo percentual de financiamento poderia atingir até 80% do preço do imóvel, terão as condições mantidas e prorrogadas até o fim deste mês. O banco informou também que as avaliações dos imóveis em garantia ao crédito de pessoa física que tiveram sua validade expirada durante o período de transição serão renovadas automaticamente até o fim do ano, o que garante a continuidade dos financiamentos.

O vice-presidente do Sindicato de Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF), Ovídio Maia, explicou que a liberação desse valor atende a uma reclamação do setor em relação aos processos que estavam atrasados após a mudança nas regras. ;De uma hora para outra mudou e isso causou um prejuízo imenso. Para nós, do mercado, é necessário um planejamento, um projeto de vida;, reforçou. Ele destacou que a falta de projetos de médio e longo prazos gera insegurança na área com menor índice de inadimplência do país. Segundo ele, essa ação é melhor do que nenhuma, mas que o mercado precisa de uma estabilidade maior.

Conseguir um lar é o desejo de muitos brasileiros, inclusive do gerente de relacionamento Aílton Ramos, 34 anos, que, depois de comprar um apartamento, foi obrigado a procurar outro quando a mulher engravidou. ;Tivemos que pensar em um lugar maior;, lembrou. Vendeu o antigo imóvel em Samambaia para comprar um mais adequado à família em Taguatinga. Para isso, foi obrigado a buscar crédito no banco. ;Precisei de mais recursos para poder financiar a propriedade que eu queria;, detalhou.

O tempo gasto com o processo, na opinião de Ramos, nem foi tão longo. ;Todo o procedimento durou cerca de 30 a 40 dias;, explicou. O que mais o incomodou o gerente de relacionamento foram as exigências bancárias. ;Quando entrei com o financiamento, a linha de crédito da instituição financeira estava mais alta, então, tive que comprar vários produtos do banco;, salientou.

Para o servidor público Leonardo Costa, 23, a pressa de deixar a casa dos pais para morar sozinho deixou a espera mais difícil. ;Eu fiquei um ano e meio morando com meus pais para conseguir juntar dinheiro e garantir um bom local;, disse. A preocupação dele agora, que conseguiu o apartamento em Águas Claras, é o tempo de financiamento. ;Para terminar de quitar as parcelas, vou levar de 30 a 40 anos, um tempinho;, explicou.

Segundo a nota divulgada pelo banco, a contratação do crédito imobiliário neste ano está cerca de 20% maior em relação ao mesmo período do ano passado e já foram emprestados mais de R$ 72,4 bilhões até o momento em todas as modalidades de crédito imobiliário. ;O banco adotou a estratégia de execução mensal do orçamento para todas linhas de crédito imobiliário, com objetivo de cumprir o orçamento anual disponível até dezembro;, afirmou.

* Estagiárias sob supervisão de Rozane Oliveira

Saques de R$2 bi na poupança
Após cinco meses consecutivos de captação positiva, os saques nas cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 2 bilhões em outubro, segundo dados do Banco Central. No ano, as perdas chegam a R$ 6,2 bilhões. Em setembro, a remuneração da poupança sofreu redução. Como a taxa Selic caiu para menos de 8,5% ao ano, foi acionada a regra pela qual as cadernetas pagam um rendimento equivalente a 70% do juro básico, em vez de 0,5% ao mês. Apesar dos saques, o patrimônio líquido da poupança subiu de R$ 694 bilhões, em setembro, para R$ 695,2 bilhões no mês passado, devido ao crédito dos rendimentos, no valor de R$ 3,2 bilhões.

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