Prefeitos afastados na Bahia

Prefeitos afastados na Bahia

Parentes, os três são acusados de fraudes em licitações em cidades do sul do estado: Porto Seguro, Eunápolis e Santo Cruz de Cabrália

» RENATO SOUZA
postado em 08/11/2017 00:00
 (foto: Reprodução Tv Globo)
(foto: Reprodução Tv Globo)


A Polícia Federal desmontou uma organização criminosa acusada de fraudar licitações em três cidades do sul da Bahia. As investigações da Operação Fraternos apontaram que o grupo era liderado por três prefeitos. O Tribunal Regional Federal da 1; Região (TRF1) expediu mandados de condução coercitiva contra a prefeita de Porto Seguro, Cláudia Oliveira, o prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira, e o de Santa Cruz de Cabrália, Agnelo Santos, que são da mesma família e filiados ao PSD. O que mais chama atenção é que os três fugiram pouco antes da chegada das equipes policiais. Agnelo Santos se apresentou ontem, horas após ser alvo das buscas. Os outros dois pretendem comparecer hoje à Superintendência da PF no estado.

De acordo com a PF, o esquema fraudou contratos que movimentaram R$ 200 milhões. As licitações eram combinadas e divididas entre os três municípios. O dinheiro liberado para os contratos eram enviados para contas de ;passagem;, com a finalidade de mascarar os beneficiários finais. No entanto, a verba tinha como destino o bolso de quem integrava o esquema. A prefeita Cláudia Oliveira, que nem sequer apareceu para trabalhar, é a mesma que em 2012 sugeriu que desviaria dinheiro dos cofres públicos. Em um vídeo gravado em uma região de mata em Porto Seguro, Cláudia diz que vai se apropriar de recursos para a construção de uma ponte. ;A ponte vai custar R$ 2 bilhões. R$ 1 bilhão é meu;, afirmou, aos risos.

Com 140 mil habitantes e 1 milhão de turistas por ano, Porto Seguro é um dos municípios com maior orçamento da Bahia. A previsão oficial é de que R$ 360 milhões serão investidos em obras e programas do município até dezembro deste ano. As equipes da PF foram na casa de Cláudia e na prefeitura. Ela é casada com Robério, e irmã de Agnelo. Nenhum deles foi encontrado nos endereços habituais. A PF não soube informar se houve algum tipo de vazamento que pode ter facilitado a fuga do trio.

Nas redes sociais, os moradores das cidades afetadas encheram as páginas dos políticos de mensagens sobre o caso. ;Parabéns, para roubar você é o melhor. Será que vai para a cadeia? Espero que sim;, publicou um internauta no perfil de Agnelo no Facebook.

Ao longo do dia, cerca de 250 policiais federais, com apoio de 25 auditores da Controladoria-geral da União e de integrantes do Ministério Público Federal, cumpriram 21 mandados de prisão temporária, 15 de condução coercitiva (três não foram cumpridos) e 42 de busca e apreensão. O senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, defendeu os políticos envolvidos, alegando que administram bem as cidades que representam. ;Espero a defesa dos prefeitos se manifestar. Não tem acusado sem o direto de defesa. O PSD da Bahia nunca teve e nunca terá compromisso com irregularidades. Do ponto de vista administrativo, os prefeitos administram bem suas cidades e se cometeram erros, ao longo do processo isso vai se demonstrar;, ressaltou. Cláudia não respondeu as mensagens enviadas pelo Correio. Os outros dois prefeitos não foram encontrados. Por decisão da Justiça, os investigados estão fora do cargo e o vice assume em cada uma das cidades. O Governo da Bahia não se manifestou até o fechamento desta edição.


Rio terá força-tarefa

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinou que um grupo de procuradores investigue crimes federais que ocorrem no Rio de Janeiro. O objetivo é combater a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas e de drogas. A procuradora também ressaltou que caso exista alguma conexão entre os crimes federais e estaduais, toda a articulação será investigada. O grupo estratégico para combater a violência crescente no estado é formado por cinco procuradores. De acordo com a portaria que formaliza as atividades do Ministério Público na região, a prioridade é o desmonte da cúpula do crime organizado. ;O grupo é voltado ao enfrentamento das organizações criminosas que atuam, dentre outros crimes, no tráfico internacional de drogas, armas e munições no estado do Rio de Janeiro, bem como na lavagem de ativos e crimes conexos decorrentes de tais atividades ilícitas.;


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