Metrô retrô

Metrô retrô

Rodrigo Craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 08/11/2017 00:00
É do urbanista colombiano Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, uma frase que traduz um dos dilemas das metrópoles: ;A cidade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro, mas aquela em que os ricos usam transporte público;. Estive em Pequim, no mês passado, e é impossível não comparar o transporte público de lá com o de Brasília. A capital chinesa foi planejada em formato de anéis. São sete no total. As linhas do metrô seguem o mesmo esquema. Enquanto por aqui é preciso aguardar até 20 minutos, ou mais, por um trem, em Pequim a espera é de, no máximo, cinco minutos. E as estações de transferência garantem agilidade e rapidez à viagem.

O sistema de compra do bilhete é automatizado. O usuário vai até um dos terminais, escolhe a linha e a estação de desembarque e efetua o pagamento. A máquina libera o troco e o cartão magnético para o acesso à plataforma. Detectores de metal, máquinas de raios X e policiais zelam pela segurança. Eficiência, rapidez e respeito com o cliente são os diferenciais do metrô de Pequim. Brasília está anos-luz atrás dos chineses em qualquer um desses quesitos. Chega a ser tosco e inexplicável o fato de o sistema metroviário da capital federal funcionar somente até as 19h de domingo. Trata-se de penalizar o cidadão a ficar em casa ou a se contentar com um serviço de ônibus deficitário.

Por outro lado, o discurso da mobilidade urbana parece terminar antes mesmo de seu início. Se em Pequim as ciclovias estão espalhadas por praticamente toda a cidade, de 20 milhões de habitantes, e bem separadas da via principal, em Brasília elas ainda são uma raridade. As bicicletas compartilhadas da capital chinesa também se revelam um show à parte. Com o celular, o usuário destrava o veículo, paga por sua utilização via on-line e, depois do uso, o abandona em qualquer lugar da metrópole. O número de bicicletas chega a 1 milhão ; 20 por morador ; e nem por isso existe caos. O transporte alternativo aos carros tem ganhado em adesão, ante os fortes índices de poluição de Pequim e da China.

É preciso pensar a mobilidade urbana com o viés da sustentabilidade, da autossuficiência e da economia de tempo para o usuário final. De nada adianta anunciar a expansão de linhas de metrô ou novas estações se o sistema mantém gargalos que precisam apenas da boa-vontade do poder público e de boa gestão para serem sanados. Para o bem do brasiliense e do turista que visitar a nossa cidade.





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