O encontro com o "rei da China"

O encontro com o "rei da China"

postado em 08/11/2017 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)



Quando Donald Trump ficar hoje frente a frente com Xi Jinping, no Grande Salão do Povo, em Pequim, o líder norte-americano provavelmente será ofuscado pelo ;rei da China;. O encontro ocorre 15 dias depois de o presidente chinês ser alçado ao mesmo patamar de Mao Tsé-tung, fundador da China comunista, e de Deng Xiaoping, o artífice das reformas econômicas, no marco do 19; Congresso Nacional do Partido Comunista. Com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 11,1 trilhões, a economia chinesa é acusada por Trump de práticas comerciais e políticas industriais injustas. Não está claro se o magnata republicano levará o tema às conversas bilaterais com Xi. Durante a campanha presidencial, Trump adotou uma retórica agressiva para citar a China.

Autora de Will China;s economy collapse? (;A economia da China entrará em colapso?;, pela tradução livre) e ex-professora da Universidade de Pequim, Ann Lee admite a discrepância entre os dois mandatários. ;Por um lado, Trump tem uma taxa de aprovação muito baixa nos Estados Unidos. Além disso, está sob investigação por conluio com a Rússia, não conta com apoio total do Partido Republicano e perdeu os simpatizantes originais na Casa Branca. Por outro lado, Xi goza de suporte total do partido e do país;, afirmou, em entrevista ao Correio. As diferenças não param por aí: enquanto Xi tem absoluto prestígio para impor suas políticas, Trump é incapaz de promover sua agenda no Capitólio, como a reforma do sistema de saúde.

A especialista acha pouco provável que Trump utilize o encontro para critiar o modelo econômico de Pequim ; o governo de Xi se assenta sobre o chamado ;socialismo com características chinesas;, propenso à abertura ao Ocidente. ;Trump negociará com a China sobre a Coreia do Norte, porque esse é um tema urgente na lista. Os assuntos econômicos têm sido mais ou menos delegados a Wilbur Ross (secretário do Comércio) e a Steve Mnuchin (secretário do Tesouro). Tanto que ambos têm negociado com os chineses, antes mesmo da chegada do americano;, disse Lee.

Pequim é o principal aliado comercial, político e ideológico de Pyongyang, ainda que o programa nuclear de Kim Jong-un tenha sido malvisto por Xi. Por isso, Trump considera essencial o apoio da China para forçar o regime pária ao diálogo e evitar um conflito militar de consequências imprevisíveis para a região. (RC)



Pesos-pesados

;Xi Jinping está colocando a China no caminho do desenvolvimento. No entanto, ele não está no comando do Exército mais poderoso do mundo, da maior reserva de moedas do planeta ou da mídia mais influente da Terra. Trump, sim.;



Ann Lee, autora de Will China;s economy collapse? (;A economia da China entrará em colapso?;) e ex-professora da Universidade de Pequim


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