Acomodações da Lava-Jato

Acomodações da Lava-Jato

postado em 12/11/2017 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 27/10/17)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 27/10/17)

Por via de regra, os presos da Lava-Jato não ficam na região do seguro. Eles ocupam celas comuns para os presos provisórios ou condenados. No entanto, alguns estão no Centro de Detenção Provisória (CDP), mesmo após condenação definitiva. De acordo com a Subsecretaria de Administração do Sistema Penitenciário (Sesipe), isso ocorre por questões pessoais.


Dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, os políticos presos têm atenção especial. Eles ficam em um setor destinado aos enquadrados na categoria de vulneráveis. A Secretaria de Administração Penitenciária utiliza este espaço para alocar ex-policiais e detentos que sofrem algum tipo de ameaça.

Camas de concreto
Nas demais alas da Papuda, cada cela é usada para abrigar entre 35 e 45 internos. O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Distrito Federal, Leandro Allan Vieira, afirma que nas áreas ;comuns;, onde ficam os presos que não tem envolvimento político, a situação é bastante crítica. ;As celas estão superlotadas. Tem sala de 12 vagas com 58 presos. Outra, com duas vagas, tem 18 pessoas. Não descartamos uma rebelião na Papuda. Essa é a opção do governo, fazer o sistema funcionar a todo custo, mesmo colocando a segurança de todos em risco. Onde os políticos estão é uma ala mais tranquila. São presos que tem menos problemas. Mas, em caso de rebelião, os internos podem chegar tanto nesta unidade quanto nas ruas, saindo da região do complexo. É necessário aumentar o número de agentes imediatamente;, afirma.


Nos locais onde estão os políticos, cada cubículo recebe, no máximo, 14 detentos. As necessidades são realizadas na própria cela, em um vaso sanitário. As camas geralmente são feitas de concreto, cobertas por um colchão e lençóis. No entanto, no caso de lotação da unidade prisional, redes são penduradas nas paredes para que o espaço seja melhor aproveitado.
Depois de passar 10 anos preso, sob acusação de tráfico de drogas, o grafiteiro Carlos Washington Corrêa conhece detalhadamente cada unidade do complexo. Durante seis anos, ele circulou pelos diversos quadrantes (unidades prisionais) da Papuda. Para descrever a realidade adversa que conviveu e afastar jovens do mundo do crime, ele escreveu o livro No mundo da lua, atrás das grades, que será lançado nos próximos meses, em que conta a difícil rotina dentro da cadeia e narra detalhes sobre o Complexo da Papuda.

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