O Brasil arcaico

O Brasil arcaico

Sacha Calmon Advogado
postado em 12/11/2017 00:00
A reforma da Previdência descontenta todo o setor público do Brasil, Executivo, Judiciário e Legislativo nos três níveis de governo da federação e por isso a pressão contra o presidente Temer é intensa. Os privilegiados não abrem mão do santo dinheirinho que recebem do Estado brasileiro. O povo que se dane, até porque sendo apalermado, está contra seus próprios interesses.

O argumento-chave para o povo se colocar contra o governo foi disseminando pelos marajás do sindicalismo brasileiro: ;Temer quer nos obrigar;, dizem, ;a trabalhar 64 anos para nos aposentarmos;. Confunde-se, assim, tempo de serviço com idade mínima para requerer a aposentação. No mundo inteiro nos países desenvolvidos ; é essa a época de peticionar as aposentações (varia de 63 a 68 anos). Desconhece o povão que o funcionalismo se aposenta com 35 anos de serviço, incluindo férias-prêmio, com os mesmos vencimentos da ativa a se converterem em ;proventos da aposentadoria;. Desconhecem também que cada reajuste dos funcionários da ativa obriga, automaticamente, o repasse para os aposentados, segundo as suas respectivas categorias.

Enquanto no setor privado o empregador paga as faturas das aposentadorias, no setor público arcam os governos com os proventos da inatividade. Finalmente R$ 9,4 mil é média no setor público contra R$ 1,6 mil no setor privado. Mas o alto funcionalismo ganha de R$ 30 mil a R$ 90 mil. E são milhares.

E, aí são convocadas passeatas pelos espertos líderes do PT, do Psol e do PCdoB ; comunistas e estatistas já vencidos pela história ; mais ainda fortes no arcaico Brasil de nossos dias. Os que fazem tais inúteis convescotes à base de salame e refrigerantes baratos acham que defendem lídimos direitos, sem desconfiar que trabalham contra si mesmos.

A reforma da Previdência, se não for feita, levará o país a gastar em breve 90% do orçamento com os doentes e inativos. Como os juros da dívida pública levam cada vez mais verbas do orçamento não haverá recursos para a saúde, educação, segurança e transporte das camadas carentes de nossa população, sem falar nos 11 milhões de funcionários públicos a exigir reajustes de vencimentos nos três níveis da federação. A União existirá para pagar ativos e inativos, os do regime geral, e os juros da dívida pública. Não vai sobrar dinheiro. Nos Estados menos ainda. Será o caos.

Os da esquerda não querem que Temer tenha êxito, fazem de um tudo para voltar ao governo. O nosso povo, coitado, é muito deseducado, sem visão política. Oitenta mil brasileiros já foram embora com suas famílias, preponderantemente, para Portugal e outros tantos para Miami (os irmãos Batista preferiram a 5; Avenida em Nova York).

O que fazer? Combater os insanos com o Partido Novo, em pleno crescimento ou entregar os pontos? Nos parecem ultrapassadas as sábias palavras de Ulysses Guimarães, com essa matilha perseguindo a Presidência da República: ;A democracia é o regime em que os governados mudam os governantes e, sem violência, fazem mudanças com, ou mesmo contra, a vontade dos governantes;. As mudanças necessárias, Temer quer fazê-las, mas os do setor público pressionam o Congresso. Quem perde? O povo obviamente.

A nossa democracia é de 3; categoria e o país uma lástima. Quem o constrói é a iniciativa privada contra o Fisco e a burocracia. Temer tem três qualidades raras, serenidade, persistência e dinamismo. Soube montar uma equipe econômica que tirou o país da recessão petista e colocou no horizonte as duas reformas, sem as quais o Brasil não anda, a trabalhista e a previdenciária.

Do meu ponto de vista a CLT deveria desaparecer junto com a custosa Justiça do Trabalho, com 30 tribunais e juntas trabalhistas por toda parte. Gasta mais do que as indenizações concedidas. É como se uma fábrica custasse mais para funcionar do que os produtos que fabrica.

O sistema previdenciário, mostra quão arcaico é o país. De um lado o ;sistema público;, onde se aposenta com vencimentos integrais. Do outro lado o mísero ;regime geral; para o povão. A elite, os funcionários se encaixam no ;sistema público; e os empresários e trabalhadores no ;regime geral;. Mas o pior é que o povo não reconhece o esforço do Presidente Temer. Foi ele que liberou as contas inativas do FGTS, e não Lula, o demagogo-mor da República.

De qualquer modo as multidões que derrubaram Dilma, não as vemos nas ruas contra Temer. Mas onde o arcaísmo do Brasil manifesta-se com veemência está no fato de 20% da população acreditar em socialismo e estatismo, ao tempo em que suporta com a aquiescência de seus partidos (PT, PSOL, PC do B, PSTU, PO) a desigualdade ao revés de exigir igualdade no regime previdenciário e na sociedade em geral. Somos um país agarrado ao Estado. Precisamos de doses maciças de capitalismo.

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