Um breve encontro e um novo embate

Um breve encontro e um novo embate

Trump conversa com Putin e diz acreditar que Moscou não interveio nas eleições americanas. CIA mantém acusação

postado em 12/11/2017 00:00
 (foto: Mikhail Klimentyev/AFP)
(foto: Mikhail Klimentyev/AFP)




Um breve encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e seu colega russo, Vladimir Putin, durante a reunião de cúpula da Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), em Da Nang, no Vietnã, voltou os focos para as acusações de uma possível interferência da Rússia na última campanha presidencial dos Estados Unidos. E, mais uma vez, com discursos conflitantes. O diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA), Mike Pompeo, manteve as acusações sobre a ingerência em um comunicado divulgado horas depois de Trump e Putin defenderem Moscou. ;O diretor mantém, como sempre fez, o relatório de janeiro de 2017; dos serviços de inteligência, segundo nota da CIA. ;As conclusões dos serviços de inteligência, no que diz respeito à ingerência da Rússia, não mudaram;, acrescentou.

Os dois presidentes, por outro lado, esforçaram-se em rebater as acusações contra Moscou. Trump preferiu usar a estratégia de defender o líder russo, e não a ele próprio, como se Putin fosse o único alvo das investigações. ;ele me disse (Putin) que, de modo algum, se intrometeu nas nossas eleições;, afirmou o republicano aos jornalistas que o acompanhavam no avião presidencial rumo a Hanói, capital do Vietnã, para mais uma etapa de sua viagem oficial à Ásia. ;Cada vez que eu o vejo, ele me diz que não fez isso (influenciar a eleição americana), e eu realmente acho que, quando me diz isso, é o que pensa;, declarou.

Putin classificou como ;fantasias; as acusações feitas contra a Rússia em uma das mais graves crises americanas desde a chegada de Trump à Casa Branca. ;Não sei de nada, decididamente nada;, insistiu. O chefe do Kremlin, porém, usou um tom mais duro ao dizer à imprensa que ;as relações entre Rússia e Estados Unidos ainda não saíram da crise;, ponderando que os russos estão ;dispostos a virar a página e seguir adiante; para terem ;relações harmoniosas com os Estados Unidos;.

O presidente russo também criticou os Estados Unidos por terem exigido que a rede russa de televisão RT, também acusada de tentar influenciar a eleição americana, se registre como ;agente estrangeiro; no país. ;O ataque contra nossos veículos é um ataque contra a liberdade de expressão;, disse Putin, acrescentando que dará ;uma resposta similar;. Outro veículo controlado pelo governo russo, a agência Sputnik, também é constantemente acusado por autoridades americanas de interferência na eleição vencida por Trump. ;Não há qualquer prova que confirme uma ingerência dos nossos veículos na campanha eleitoral nos Estados Unidos;, reiterou Putin.

Além da reação da CIA, as declarações de Donald Trump provocaram a ira de vários legisladores democratas, como Adam Schiff, que afirmou, em um comunicado, que ;o presidente não engana ninguém;. Segundo Schiff, ;ele (Trump) sabe que os russos intervieram;, fundamentalmente, ao hackear a conta de e-mail da então candidata Hillary Clinton e com uma campanha nas redes sociais para ajudar a candidatura de Trump.



Pyongyang: ;Turnê belicista;
Um porta-voz do Ministério norte-coreano das Relações Exteriores acusou o presidente americano, Donald Trump, de fazer pela Ásia uma ;turnê belicista, com a intenção de ter uma confrontação para privar a República Popular e Democrática da Coreia de dissuasão nuclear;. ;Nunca poderão nos atemorizar, nem frear nossos avanços;, disse, frisando que, a postura os ;estimula a acelerar os esforços para (...) chegar a uma força nuclear nacional;. Em contrapartida, os líderes da Coreia do Sul e da China divulgaram, ontem, que concordaram em administrar a segurança da península coreana de maneira estável e pacífica.





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