Seleções diferenciadas

Seleções diferenciadas

Para não errar na contratação de pessoal, equívoco que custa caro, empresas têm apostado em métodos inovadores. Jogos, testes psicológicos e de integridade, por exemplo, ajudam a formar o perfil comportamental dos candidatos. Plataformas on-line também são usadas para facilitar e agilizar os processos seletivos

Tainá Ferreira*
postado em 12/11/2017 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

Apesar da crise econômica e do consequente aumento do desemprego, as empresas não deixaram de contratar. No entanto, a recessão impacta o processo de tomada de decisões, já que as companhias ficaram mais cautelosas e tomam cada vez mais cuidado ao selecionar empregados. Afinal, admitir a pessoa errada custa caro tanto para a equipe que lidará com ela quanto para a organização como um todo. A fim de evitar a rotatividade que pode advir disso, um processo também oneroso, firmas têm apostado em processos seletivos que vão além da mera entrevista. Teste de integridade, análise de personalidade, etapas digitais e gamificação são algumas das ferramentas adotadas para identificar o perfil dos candidatos, mapear competências e habilidades técnicas e comportamentais e, então, definir quem se encaixa melhor na vaga.


Luiz Wever, presidente da Odgers Berndtson do Brasil, empresa internacional de seleção de executivos, é um entusiasta de novos métodos de busca de pessoal e acredita que eles podem trazer resultados muito positivos. ;A empresa que inova em termos de procurar melhores ferramentas ou pessoas para contratação diminui as chances de errar numa área tão sensível. Afinal, um erro de admissão pode gerar meses e meses de reparo;, avalia o administrador pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em negócios pela Fundação Dom Cabral / Institut Européen d;Administration des Affaires (Insead). Para candidatos em busca de emprego, participar de fases diferenciadas pode ser um desafio. Contudo, o jeito é se adaptar e estar pronto para etapas que fogem do comum.

Cuidados
De acordo com Andréa Medina, especialista em gestão empresarial pela FGV com MBA em liderança colaborativa e docência empresarial pelo BI International, é importante que as organizações estejam abertas para adotar formatos inovadores de processos seletivos, mas sem deixar as modalidades consolidadas de lado. ;Acredito que se deve fazer uma mescla dos modelos tradicionais com os novos. Afinal, os métodos antigos não perderam o valor: uma entrevista pessoal bem conduzida, com profissionais preparados, ajuda muito na hora da escolha;, analisa a sócia da Sunrise Consultoria. Para que as técnicas modernas surtam efeito, é preciso adotar cuidados, por exemplo, preparando bem os responsáveis pela execução do processo seletivo. ;No caso de um jogo, quem está aplicando ou observando deve estar atento para não expor os participantes ao ridículo ou a condições que vão além do limite;, pondera. ;Por exemplo, fazer um cara tímido falar por muito tempo não faz sentido porque ele não é assim e isso vai constrangê-lo. Aquele candidato pode não ter o perfil ideal para determinado cargo, mas ter habilidades fantásticas para outra área;, diz.

Formatos inusuais em prática

Conheça métodos diferentes de seleção a experiência de aplicação em empresas

Tecnologia a favor do RH
Em tempos em que a internet se integra cada vez mais à vida pessoal e profissional das pessoas, por que não usar a web para melhorar e agilizar processos seletivos? Foi no que apostou a WIZ, antiga PAR Corretora, que passou a adotar recrutamento e seleção quase totalmente digitais, concentrados na matriz em Brasília. Desde a mudança, em 2016, a plataforma de triagem foi usada para escolher, com sucesso, 160 empregados de diversas áreas. A divulgação (em redes sociais) e a interação com candidatos são feitas pela internet. As únicas etapas presenciais são as do fim do processo. O objetivo da empresa, que tem mais de 1.700 funcionários em todas as unidades da Federação e figura na lista das 35 melhores empresas para se trabalhar no Centro-Oeste (Great Place to Work), é ganhar agilidade e efetividade. ;O processo seletivo, que antigamente levava semanas para ocorrer, hoje, pode ser feito em um dia, dependendo da disponibilidade do participante;, aponta Marcela Dario El-moor, 34 anos, diretora de Gente e Gestão da WIZ.


;Conseguimos reduzir em 60% a rotatividade na empresa nos meses de teste. Agora, gastamos 40% menos de tempo fechando vagas do que gastávamos antes;, comemora a administradora graduada pela Universidade de Brasília (UnB). A partir de uma base de dados, os analistas de RH da empresa fazem a triagem de currículos e análise quantitativa. Depois dessa fase, passa-se à entrevista em vídeo. Os aprovados respondem ao teste Disc, de análise comportamental. Para algumas vagas, é possível aplicar ainda provas ou resoluções de cases virtualmente. Para marcar as etapas físicas (entrevista e dinâmica) e dar feedback positivo, recorre-se ao aplicativo WhatsApp. Segundo Marcela, o formato trouxe muitos benefícios e ainda proporciona comodidade aos candidatos. ;Fizemos uma pesquisa de satisfação com quem usou a plataforma e 98% aprovaram o formato;, afirma ela, que tem MBA em gestão de pessoas pela FGV. A conclusão é de que a modalidade on-line juda a preencher os postos com assertividade mais rapidamente. ;Isso potencializa o alcance das vagas, pois consigo fazer buscas mais assertivas. Se a firma quer, por exemplo, alguém de 25 a 30 anos e que more perto do local de trabalho, é possível achar.;

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa

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