Depois do sufoco, a expectativa

Depois do sufoco, a expectativa

As duas disciplinas foram apontadas como as mais difíceis no segundo e último dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio. Sem problemas graves, o DF registrou uma abstenção de 32%, a média nacional

» OTÁVIO AUGUSTO » LUCAS VIDIGAL Especial para o Correio
postado em 13/11/2017 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Química e física. As duas disciplinas deixaram candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) inseguros. Questões relacionadas a energia elétrica, poluição, gases do efeito estufa, efeitos de medicamentos e fertilizantes desafiaram os estudantes. Até os mais seguros ficaram assombrados com o grau de dificuldade do conteúdo da prova de ciência da natureza, aplicada ontem, segundo e último dia do exame. O Distrito Federal registrou 32% de abstenção, a média nacional, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Com a chuva, o trânsito e o Metrô-DF funcionando em esquema especial ; os servidores da companhia estão em greve há uma semana ; 125 mil estudantes fizeram a última etapa das provas em 167 pontos da capital. Não houve registro de problemas graves. O domingo ficou reservado às avaliações de matemática e de ciências da natureza. A prova deste fim de semana representou um desafio maior aos alunos por reunir disciplinas de maior grau de dificuldade e ter uma hora a menos para ser respondida.


Quem almeja uma vaga em um dos cursos de exatas teve de ter cuidado redobrado para se destacar em meio à concorrência. Morador da Asa Norte, Gustavo Henrique Moreira, 16 anos, saiu do local de prova logo que o relógio marcou 17h30, horário mínimo permitido para que o candidato levasse o caderno de questões. ;Estou confiante, não tive muita dificuldade;, contou, empolgado.

Mesmo tendo classificado a prova de matemática como tranquila, foi nessa matéria que Gustavo encontrou a questão mais difícil. O texto pedia que o candidato calculasse o tamanho do corte a ser feito em um melão para uma festa, o que exigia conhecimento bastante específico em geometria ;Estava complexa e não tinha tanta certeza sobre a fórmula a se usar;, reclamou. E confessou: ;Chutei!”

Além de geometria, a prova de matemática cobrou conhecimentos principalmente em função trigonométrica, probabilidade e análise combinatória. Biologia teve mais questões sobre ecologia e genética, enquanto física teve muitos itens em elétrica. Em química, reações orgânicas, tema considerado difícil, exigiu atenção do candidato. A quantidade de texto e de interpretação também foi alvo de crítica dos estudantes.


;Mais difícil;
O estudante Matheus Santos, 17 anos, saiu pontualmente às 15h30. Foi o primeiro candidato a deixar o UniCeub, na Asa Norte. Não estava muito otimista com o desempenho na prova. Ele cursa o segundo ano do ensino médio e achou que a avaliação cobrou conteúdos mais difíceis que em 2016. ;Estava bem mais difícil do que no ano passado. Minha sorte é que cobraram muitos assuntos que se estuda no segundo ano;, comentou.

Química orgânica, por exemplo, foi um dos assuntos mais cobrados na prova. Nathalia Keffer, 19 anos, saiu reclamando e classificou o exame como ;delicado;. ;Principalmente para quem saiu do ensino médio há algum tempo, como eu;, analisou. Ela cursa o segundo semestre de letras na Universidade de Brasília (UnB), mas quer mudar de curso. Vai depender da nota que obtiver.

Mas houve uma parcela que encarou o exame com tranquilidade. Samira Rey, 18 anos, disse não ter tido dificuldade com os cálculos e as fórmulas exigidos. Ela alegou que as questões foram ;bem elaboradas; e que muitas cobraram raciocínio lógico. ;Em várias situações não era preciso fazer cálculo, era para se pensar;, observou. Na avaliação dela, física foi a disciplina mais difícil.

Victor Samuel Oliveira, 18 anos, achou a avaliação tranquila, mas cansativa. ;São muitos textos longos. Também foram cobradas muitas questões de lógica em física e matemática;, afirmou. Para ele, a prova de biologia era a mais difícil. ;Caiu muita coisa que eu ainda não vi, mesmo estando no 3; ano do ensino médio;, queixou-se.




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