O controle da inflação

O controle da inflação

postado em 13/11/2017 00:00

A inflação acumulada entre janeiro e outubro deste ano, de 2,21%, é a menor para o período desde 1998. Há motivos de sobra para comemorar esse indicador. Quanto menor for o custo de vida, maior será o poder de compra das famílias, sobretudo as mais pobres, que não têm como se defender da carestia. Em um espaço de um ano, as sobras dos trabalhadores que ganham um salário mínimo aumentaram mais de 50% depois da compra da cesta básica.

Apesar dos números positivos, nunca é demais lembrar: qualquer vacilo, qualquer estripulia em relação ao controle da inflação, pode provocar estragos enormes na economia do país. Foi o que se viu durante o governo de Dilma Rousseff. As medidas tresloucadas adotadas pela petista, como a intervenção nas concessionárias de energia, obrigando-as a reduzir o valor das contas de luz, e o represamento dos preços dos combustíveis resultaram em uma fatura que está sendo paga até hoje.

As projeções de especialistas apontam que o Brasil deverá viver, entre 2017 e 2019, o melhor triênio para a inflação nos últimos 60 anos. Ou seja, haverá espaço de sobra para que o Banco Central possa levar adiante a redução da taxa básica da economia (Selic), consolidando um novo patamar para os juros. Finalmente, o país deixará de figurar no topo da lista das nações com os maiores custos do dinheiro. Um ranking que sempre foi motivo de vergonha.

A luta contra a inflação, porém, é diária. E, para que esse fantasma não venha a assombrar nos próximos anos, será preciso que o governo e o Congresso não deixem de lado tarefas vitais para a consolidação da estabilidade econômica. Isso passa pela aprovação da reforma da Previdência Social. Sem o equilíbrio das contas públicas, a desconfiança dos agentes financeiros voltará com tudo. Por enquanto, há uma conveniente complacência do mercado com o rombo fiscal.

O controle da inflação é base para o crescimento do país. Se os empresários têm confiança de que não haverá descontrole de preços mais à frente, podem planejar melhor os investimentos para a ampliação de seus negócios. As famílias, também, se sentem mais confortáveis para consumir. Aceitam assumir financiamentos de longo prazo, pois terão a certeza de que haverá renda suficiente para honrar seus compromissos.

A boa notícia é que o Banco Central está ciente de todos os riscos e de todas as suas responsabilidades. A instituição vem reduzindo os juros desde outubro do ano passado, porque teve a segurança de que o caminho era seguro. A taxa Selic caiu, desde então, de 14,25% para 7,50%. E pode ir abaixo de 7% em janeiro do ano que vem. O BC sabe que deu um passo larguíssimo, contudo, só continuará nesse caminho se tiver a segurança absoluta de que a inflação se manterá comportada.

Inflação baixa e juros nos menores níveis da história formam a combinação perfeita para um longo período de estabilidade e crescimento econômico. É uma conquista da qual não se pode abrir mão, seja qual for o governo. A sociedade está vigilante. E assim deve ser.




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