A China sobre rodas sustentáveis

A China sobre rodas sustentáveis

O país que mais emite gases do efeito estufa trabalha para deixar o transporte menos poluente. Projetos com carros elétricos têm tido resultados promissores, como o aumento da autonomia dos veículos. O uso de bicicletas compartilhadas também chama a atenção

PAULO DE TARSO LYRA Enviado especial*
postado em 13/11/2017 00:00
 (foto: STR/AFP - 22/5/17)
(foto: STR/AFP - 22/5/17)


Pequim ; País que mais emite gases provocadores do efeito estufa ; impressionantes 2,49 gigatoneladas derivadas de combustíveis fósseis e produção de cimento ;, a China resolveu investir de vez na produção de carros elétricos. As ruas de Pequim, floridas e arborizadas como poucas megalópoles mundiais, não escondem o ar embaçado, que dificulta a visualização dos prédios mais altos. Por isso, apostar em pesquisa na produção de veículos que não utilizam combustíveis se tornou uma obsessão no país que não para de crescer.

A questão parece tão séria que o porta-voz de uma das principais empresas do país, a Baic Bjev, não é um mero executivo. Ele é vice-secretário do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, dando um claro sinal de que essa é uma política realmente de estado. ;Nós somos a primeira empresa a apostar, em larga escala, em veículos que utilizam a chamada nova energia;, afirmou Lian Qing Feng.

A empresa está em primeiro lugar no mercado interno e em quarto lugar no mercado mundial, atrás de Estados Unidos, Japão e Alemanha, competidores que eles pretendem superar em pouco tempo. ;Contamos com o apoio governamental para atingirmos nossas metas;, disse o executivo ;Queremos ser os maiores produtores mundiais em um prazo de cinco anos;, projetou.

O plano parece ser ; e é ; ambicioso. Mas, se for analisada a história da empresa, as expectativas parecem ser bem factíveis. Ela tem oito anos de existência e conta com 2 mil patentes registradas. A menina dos olhos da empresa ainda está para ser lançada. Trata-se de um esportivo de luxo, com capacidade para chegar a 260km/h de velocidade final. É o Arcfox-7, que poderá ser utilizado tanto na versão passeio quanto em competições esportivas pelo mundo. Para os consumidores comuns, ele sairá a US$ 300 mil. Já os que serão utilizados em pistas de corridas, o valor subirá para US$ 600 mil. ;Nossa intenção é promover uma grande transformação no mercado de automóveis;, completou Lian.

Como tudo na China, os níveis de investimentos são guardados em sigilo, sob o argumento de não fornecer dicas de negócios para possíveis concorrentes. Lian lembra, contudo, que não adianta apenas pensar na produção de veículos, mas nos pontos de abastecimento dos carros elétricos. O diretor-presidente da Baic orgulha-se do dia em que a empresa recebeu a visita do presidente chinês, Xi Jiping. ;Ele veio pessoalmente nos incentivar e dizer que temos de continuar a avançar em nossa estratégia de modificar o conceito de carros chineses;, relembrou.

Os carros atuais que adotam a nova tecnologia têm autonomia de 400 quilômetros. Mais uma vez, o Arcfox-7, cuja previsão de lançamento é julho do ano que vem, é inovador: com a mesma carga, conseguirá rodar 500 quilômetros. Mas a empresa não produz apenas veículos esportivos. Parte da frota chinesa de táxis já é elétrica e sai das fábricas da Baic. A empresa também vende modelos populares, como o Lite, que vem em diversas cores e com preços que variam de US$ 16 mil a US$ 19 mil.

Ou modelos mais requintados, como o PJU EH300, um sedã de bancos de couro. Ainda assim, os valores são atraentes, especialmente se comparados aos preços adotados no mercado brasileiro. A unidade do sedã sai por US$ 40 mil. A justificativa é de que, como o veículo é muito utilizado por autoridades governamentais e integrantes do alto escalão do Partido comunista chinês, ele acaba tendo os preços subsidiados. O veículo foi lançado em 2014, durante a Asian Pacific Economic Cooperation, um fórum de 21 países-membros localizado no Círculo do Pacífico, que visa promover o livre comércio e a cooperação econômica em toda a região da Ásia-Pacífico.



Mobilidade em números

Confira como o transporte se configura em duas cidades chinesas

Em Pequim, cidade com 21,5 milhões de habitantes, por dia:

Ônibus: 11 milhões de pessoas atendidas

Metrô: 10 milhões de pessoas atendidas

Bicicletas: 3,5 milhões de usuários

Táxi: 1,6 milhão de pessoas atendidas

Em Chengdu, cidade com 4,6 milhões de habitantes, por dia:

Metrô: 2,5 milhões de pessoas atendidas

Bicicletas: 3 milhões de pessoas atendidas

A quantidade de bicicletas nas ruas representa uma redução de 1,26 milhão de emissões de toneladas de CO2 por ano. Isso equivale às emissões feitas por 350 mil carros durante o mesmo período

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