República de bananas

República de bananas

rodrigo craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 15/11/2017 00:00
Hoje é dia de celebrar a Proclamação da República. Ainda me recordo das aulas de moral e cívica, do patriotismo quando todos os alunos se perfilavam diante da bandeira do Brasil, símbolo de esperança e de orgulho. A nossa república foi sequestrada por escândalos de corrupção, pela falta de ética e pela extinção de políticos de conduta proba e ilibada. Enquanto você, cidadão comum, trabalhador, gozará de 24 horas de descanso, os nossos deputados se presentearam com 10 dias de ociosidade. ;Enforcaram; a semana em um feriado em plena quarta-feira. Tudo isso ao custo de R$ 110 milhões. Tudo arcado com dinheiro do nosso bolso.

Com esse valor, seria possível manter 40 mil crianças na escola durante um ano inteiro ou distribuir 2,75 milhões de cestas básicas. Ou construir cerca de 100 escolas públicas com seis salas de aula. Ou pagar o salário de 117 mil brasileiros. Em meio a uma crise grave, que produziu 12,4% de desempregados, nossas excelências, os deputados, tiveram a nobre ideia de descansar a semana inteira. São eles os trabalhadores que enfrentam o transporte público e horas de trabalho calejado em troca da sobrevivência e sem direito a regalias? São eles os pais de família que se desesperam na batalha diária para conseguir alimento e garantir o mínimo de dignidade para seus filhos?

Somos, infelizmente, república de bananas. Enquanto nossos políticos não perceberem que são funcionários do povo e que a ele devem prestar contas, as instâncias decisórias do Brasil seguirão títeres de interesses personalistas e antros da corrupção. É preciso colocar o bem nacional acima dos desvarios e da procrastinação. Se queremos uma nação honrada, com crescimento sustentável e garantia de progresso, então que o Congresso dê exemplo. Enforcar o feriado apenas denota a falta de vontade de nossos parlamentares em fazer avançar a agenda política do país. Como se não bastassem votações consecutivas para salvar o governo e uma reforma trabalhista marcada pela polêmica e excessivamente patronal.






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