Começa a reconstrução

Começa a reconstrução

postado em 15/11/2017 00:00
 (foto: Fotos: Atta Kenare/AFP
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(foto: Fotos: Atta Kenare/AFP )


O presidente do Irã, Hassan Rohani, prometeu que será rápida a recuperação das áreas afetadas pelo terremoto de domingo, que alcançou a magnitude 7,3 na escala aberta Richter e deixou ao menos 530 mortos e mais de 8 mil feridos, em uma região da fronteira com o Iraque. Após o encerramento oficial das operações de resgate, o presidente disse que o governo vai acelerar o processo de reconstrução, ;para que ele possa ser concluído no menor tempo possível;. Rohani visitou cidades da província de Kermanshah, a mais castigada pelo sismo, o mais letal ocorrido no mundo em 2017, e garantiu que foram mobilizados todos os recursos disponíveis para que o país possa fazer frente aos desafios, incluindo valores que serão emprestados para os iranianos reconstruírem seus lares.

Quase todas as mortes decorrentes do terremoto foram registradas em território do Irã, apesar de o epicentro ter sido registrado a 22,4 km da cidade de Derbendixan, no Iraque. Pelo menos 14 províncias iranianas foram afetadas, e cerca de 30 mil casas ficaram destruídas. Nessas localidades, o fornecimento de água e luz seguia interrompido ontem.

Uma das localidades visitadas por Rohani, a cidade de Sarpol-e-Zahab, contabilizou a maior parte das 430 vítimas confirmadas até ontem em Kermanshah. O Iraque, por sua vez, totailizou oito mortos e 300 feridos na região do Curdistão. Moradores da Turquia, de Israel e do Kwait também sentiram os abalos, mas não houve vítimas ou destruição nesses países.

;Não há um iraniano que não esteja pensando hoje no povo de Kermanshah;, destacou o presidente Hassan Rohani, que tinha agendada uma reunião com representantes de organismos engajados nos trabalhos de recuperação e com autoridades da província.

Os esforços de recuperação serão conduzidos pela Fundação de Moradia da Revolução Islâmica, segundo o presidente iraniano, com a colaboração de funcionários governamentais, militares e ONGs. Rohani agradeceu ao Exército, aos Guardiões da Revolução, ao Crescente Vermelho, às organizações de socorro e a vários ministérios pelo empenho demonstrado em ;resolver o problema da água, da eletricidade e das estradas e salvar pessoas presas debaixo dos escombros e levá-las aos hospitais;.
A população iraniana, por sua vez, mobilizou-se para doar sangue aos mais de 8 mil feridos. Organismos como o Crescente Vermelho ; similar da Cruz Vermelha em países de maioria muçulmana ; trabalham para enviar ajuda humanitária às dezenas de milhares de pessoas abrigadas em barracas de campanha, devido à perda de suas casas ou ao temor de réplicas do terremoto. Cálculos iniciais apontavam que o terremoto deixou cerca de 70 mil desabrigados no Irã.

Mais tremores

Um novo tremor foi registrado ontem na região oeste do país. Com magnitude 4,3, o abalo ocorreu na província de Lorestan, vizinha a Kermanshah, onde está concentrada parte da população curda iraniana. O Centro Sismológico do Irã informou que o tremor de ontem ocorreu às 7h58 (2h58 em Brasília). Até a noite de ontem não havia informações sobre vítimas.

Milhares de pessoas foram alojadas em acampamentos improvisados, enquanto outras passaram a terceira noite ao relento, com medo de novos tremores, após o registro de 193 abalos secundários, informou a televisão iraniana. O terremoto ocorrido no domingo foi o mais mortal no país desde 2003, quando tremores na província de Kerman deixaram 31 mil mortos. No entanto, a maior tragédia do tipo na história do Irã aconteceu em 2000, com 37 mil mortos na região norte.

No Iraque, autoridades de saúde do governo autônomo do Curdistão informaram que a área mais afetada pelo sismo de domingo foi o distrito de Darbandikham, próximo à fronteira com o Irã, onde pelo menos 10 casas desabaram. O único hospital da região foi seriamente danificado. O tremor foi sentido na capital, Bagdá, e no sul iraquiano, onde moradores correram para fora de casa ao sentir os primeiros abalos.

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