Planeta está perto de um "ponto sem retorno"

Planeta está perto de um "ponto sem retorno"

postado em 15/11/2017 00:00
O aumento da temperatura global se aproxima de um ponto em que restará ao homem apenas lamentar e sofrer os impactos das mudanças climáticas. É o que os especialistas chamam de ponto de inflexão, prestes a chegar a um patamar de consequências imprevisíveis para o planeta e com baixa possibilidade de intervenção, segundo informe divulgado ontem na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-23).

;Nos últimos dois anos, acumularam-se as provas de que nos dirigimos para uma colisão ambiental (;) A mudança climática está aqui. E vai para pior até alcançar esse preocupante ponto de inflexão, em que os acontecimentos deixam de estar sob controle;, adverte Johan Rockstrom, diretor executivo do Stockholm Resilience Centre, um centro internacional de excelência para a ciência e sustentabilidade com sede na Suécia.

Professor da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Sybren Drijfhout ilustra a situação limítrofe. ;Você imagina alguém sentado em uma cadeira inclinada para trás, balançando. O ponto de inflexão é exatamente quando você está entre dois estados (;) Uma pequena perturbação fará todo o sistema balançar;, diz.

Esse ponto de inflexão tem avaliações diversas. Alguns cientistas acreditam que a superfície do planeta já se aqueceu excessivamente ; 1,1;C nos últimos 150 anos ; e isso provocará a desintegração de boa parte do gelo na Antártica, aumentando o nível do mar de seis a sete metros. Para outros estudiosos, esse limite é um pouco mais alto: 1,5;C ou 2;C. Todos, porém, estão de acordo em que há um ponto sem retorno com efeitos que podem ser catastróficos.

Por exemplo, calcula-se que um aumento da temperatura entre 3;C e 5;C transformaria amplas zonas do Amazonas em uma savana, e o Deserto do Sahel, no norte da África, em uma zona úmida. De forma geral, o nível dos oceanos subiria dezenas de metros, e o gelo dos polos se fundiria por completo. Também causaria o derretimento do permafrost, camada de terra congelada que retém pelo menos o dobro de quantidade de gás carbônico existente na atmosfera.

Coautor do informe, Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto Potsdam para a Pesquisa sobre Mudança Climática, ressaltou a relevância do documento. ;É importante lembrar a todos as razões pelas quais milhares de pessoas estão reunidas em Bonn (na Alemanha).; A segunda e última semana da COP 23 é considerada decisiva. Espera-se que os líderes cheguem ao livro de regras, documento em que serão definidas questões como a periodicidade da revisão das metas do Acordo de Paris ; firmado há dois anos, o pacto tem o intuito de manter o aumento da temperatura do planeta abaixo de 2;C ; e a fiscalização dos avanços de cada nação.




Oficializada a entrada da Síria
A Síria se uniu formalmente ao Acordo de Paris contra as Mudanças Climáticas, informou ontem as Nações Unidas. Dessa forma, os Estados Unidos são o único país a ficar de fora do tratado. A decisão de Damasco foi anunciada na semana passada, durante a COP 23. Segundo a secretaria da Convenção Marco das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, dos 196 países-membros, 169 ratificaram o pacto. Outros 27 assinaram, sem ainda ratificá-lo.





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