Quatro perguntas /Nei Lopes

Quatro perguntas /Nei Lopes

postado em 15/11/2017 00:00
 (foto: Bruno Veiga/Divulgação)
(foto: Bruno Veiga/Divulgação)




Que importância você atribui a projetos como o Agô ; Samba e ancestralidade para a disseminação da cultura afro-brasileira no país?
É sempre bom chamar atenção para este componente fundamental da brasilidade que é a cultura desenvolvida, em todos os quadrantes do País, pelo segmento afrodescendente. E sobretudo neste momento em que o Brasil anda regredindo em termos de políticas sociais, no que desfavorece a inclusão do povo negro que, lamentavelmente, ainda carece de cidadania completa. Eu reflito muito sobre isso, tanto nas minhas músicas quanto nos meus livros. Por isso, a ocupação Agô ; Samba e ancestralidade é importante.

O que você vai abordar na palestra e no show Sambas: histórias de terreiros?
Vou falar, a pedidos, sobre o Centenário do Samba, mostrando o quanto o gênero-mãe da nacionalidade brasileira é vítima de toda sorte de preconceitos, principalmente pelos que confundem samba com carnaval. Hoje, a música brasileira vem se empobrecendo também. Enquanto que o samba continua forte e vigoroso, apesar de a grande mídia só dar visibilidade total a outro tipo de música. Também penso muito nisso; e felizmente tem gente concordando comigo, pois em 2015 o meu Dicionário da história social do samba ganhou o Prêmio Jabuti como o livro do ano. Então, eu falo porque estudo e sei; não é por dor de cotovelo.

Qual a sua opinião sobre o Brasil num momento de tanta turbulência e intolerância, nos diferentes setores da sociedade?
Turbulência é pouco. Não sei onde vamos parar com toda essa falta de ética e civilidade.

Que relação tem com Brasília, cidade para onde, por diversas vezes, trouxe seu trabalho?
Brasília tem o seu destaque, na arte, na beleza e arquitetura, como disse Silas de Oliveira naquele belo samba-enredo do Império Serrano, no inesquecível ano de 1964.





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