Nova câmera dá pistas de assassino

Nova câmera dá pistas de assassino

Imagens de câmera instalada no Palácio do Buriti mostram que, em menos de dois minutos, bandido esfaqueou estudante e pedalou em direção à Torre de TV

ISA STACCIARINI
postado em 13/12/2017 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)




O assaltante que matou o pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Arlon Fernando da Silva, 29 anos, demorou menos de dois minutos para abordar, esfaquear e levar a bicicleta da vítima. Um vídeo ao qual o Correio teve acesso com exclusividade revela o estudante pedalando na ciclovia ao lado do Eixo Monumental, na altura da Câmara Legislativa e em direção ao Memorial JK. A imagem não registra o momento do ataque, mas mostra o criminoso em fuga, com a bike roubada. Ele segue em velocidade na própria ciclovia, mas no sentido da Torre de TV. E ainda se arrisca entre os carros ao tentar atravessar o semáforo que fica em frente ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

A gravação saiu das câmeras externas do Palácio do Buriti, mas, devido à distância, a quantidade de árvores e por ser à noite, não dá para identificar o assaltante nem a roupa que ele usava. Investigadores da 5; Delegacia de Polícia (Área Central) tentam conseguir outros vídeos de prédios dos arredores do local do crime que possam ter flagrado o trajeto percorrido pelo bandido após o latrocínio. A investigação é tratada com prioridade. Apesar da urgência em prender o suspeito, o caso impõe uma série de dificuldades, como falta de iluminação e ausência de testemunhas.

Além disso, dois dos quatro suspeitos identificados prestaram depoimento. Informalmente, um adolescente de 14 anos admitiu a participação no crime, mas, depois, mudou a versão pelo menos 10 vezes. Mas fontes ouvidas pelo Correio apontam que a linha mais forte de investigação envolve um morador do Paranoá com histórico de roubo de bicicletas na região central. Há meses, a polícia o prendeu próximo ao Memorial dos Povos Indígenas, tentando assaltar ciclistas. Na delegacia, ele disse que, na noite do assalto, quinta-feira, estava no centro de Brasília, mas negou qualquer relação com a morte de Arlon.

Assim como o garoto de 14 anos, esse morador do Paranoá é monitorado. O adolescente chegou a ser levado para fazer exame de corpo de delito e encaminhado ao Instituto de Pesquisa de DNA Forense para colher material genético e confrontar com vestígios coletados na unha da vítima. O resultado não ficou pronto. Outros dois suspeitos não foram ouvidos, mas policiais os acompanham. Um deles seria comparsa do jovem, e o outro, um homem que deu entrada no Hospital de Base do DF na noite do latrocínio com um ferimento de faca na mão.

Enquanto isso, segue a dúvida se o cabo de uma faca encontrado próximo ao local do crime é parte da arma usada pelo bandido. O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) que poderia apontar se a vítima tentou reagir também não está concluído.

Pertences
Na tarde de segunda-feira, dois amigos de Arlon desocuparam a quitinete onde o físico morava de aluguel, em um condomínio do Sudoeste. Com autorização da polícia e a pedido da família, eles fizeram a doação das roupas do doutorando. Pertences pessoais, como documentos, foram encaminhados a Rio Branco do Sul (PR), cidade natal da vítima e da família. A pesquisa de doutorado que estava em andamento ficou com o orientador do estudante.




Reconhecimento
O estudante paranaense havia trocado Rio Branco do Sul por Brasília em 2013. Formado em física, chegou à capital para fazer mestrado e doutorado na UnB. Primeiro, morou na Asa Norte. Em setembro, mudou-se para o Sudoeste por causa do valor do aluguel. Era tido como um prodígio da física. Um estudo realizado por Arlon e apresentado pelo orientador há duas semanas, na Universidade de Southampton, na Inglaterra, recebeu elogios.


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