Fórum da água deve atrair até 40 mil ao DF

Fórum da água deve atrair até 40 mil ao DF

De 18 a 23 de março, evento mundial vai debater oferta e preservação dos recursos hídricos. Estacionamento do estádio Mané Garrincha vai receber feira cultural. Em meio a racionamento, Adasa garante abastecimento aos locais frequentados pelos participantes

LUCAS VIDIGAL ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 13/12/2017 00:00
 (foto: Tony Winston/Agência Brasília)
(foto: Tony Winston/Agência Brasília)

Quatro anos depois da Copa do Mundo, o Estádio Nacional Mané Garrincha volta a receber um evento internacional. O estacionamento da arena vai sediar as exposições abertas ao público no 8; Fórum Mundial da Água, entre 18 e 23 de março. O tema dessa edição é Compartilhando Água. Os participantes ; governo, sociedade civil, empresas e instituições científicas ; vão debater oferta e preservação dos recursos hídricos. Será a primeira vez que o Hemisfério Sul sediará o fórum, considerado o maior sobre o assunto.


O governador Rodrigo Rollemberg e o diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa-DF), Paulo Salles, apresentaram o planejamento do evento, ontem. O custo está estimado em R$ 83 milhões. O GDF vai destinar R$ 25 milhões. Outros R$ 25 milhões sairão dos cofres do Governo Federal. O restante será bancado pela iniciativa privada, por meio de patrocínio e venda de espaço para mostra de produtros.


O fórum acontecerá em dois locais: o Centro de Convenções Ulysses Guimarães e o Mané Garrincha. Uma das novidades será a Vila Cidadã, no estádio. Na área, de acesso gratuito, haverá debates, exposições, palestras, atividades culturais, artesanato e área de alimentação. O Centro de Convenções receberá as cerimônias de abertura e encerramento do fórum, palestras e painéis com representantes internacionais. Para ter acesso ao local, é necessário se inscrever e pagar pela participação.


O GDF espera receber ao menos 7 mil estrangeiros nos seis dias de evento. Ao todo, 40 mil pessoas devem participar do Fórum. Durante o anúncio dos planos da organização do encontro, Paulo Salles garantiu o abastecimento no DF, que, provavelmente, ainda estará em racionamento. ;Faremos uso racional da água para que todos possam aproveitar;, disse, sem explicar como ficará o regime de rodízio.


A organização do Fórum espera que o volume de chuvas desta época ajude os reservatórios a entrar em níveis razoáveis, ao menos para não agravar a crise hídrica. Em 18 março de 2017, um ano antes da abertura do evento, a barragem do Descoberto registrava 45,7% da capacidade. Ontem à tarde, o índice era de 11,1%.


Ainda que considerada uma cidade seca, Brasília tem, paradoxalmente, o maior volume de chuvas médio entre as oito localidades que já receberam o Fórum Mundial de Água. ;Estamos preparados. O evento ocorreu em lugares com menos água do que o DF;, ponderou Salles, sem citar as cidades.
Autoridades

As mesas de debate do 8; Fórum Mundial da Água vão contar com a presença de integrantes do judiciário brasileiro. Até esta edição, só integrantes do executivo e do legislativo participavam. A ideia é que, nos encontros, políticos brasileiros e dos cerca de 100 países participantes discutam políticas públicas relacionadas à administração dos recursos hídricos. ;Água não é uma questão apenas ambiental. O tema repercute na política e até na geração de empregos;, comentou Salles.
Rollemberg definiu o evento como ;histórico para Brasília;. ;Vamos reunir em torno de 7 mil estrangeiros, os maiores especialistas no tema água do mundo, vários chefes de Estado e o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas, António Guterres);, ressaltou.

Consumo alto
Sem receber partidas de futebol há oito meses, arena mais cara do país, o Mané Garrincha ganhou holofotes durante a crise hídrica porque o hidrômetro do estádio registrou consumo de 94,2 milhões de litros de água em maio. O volume gasto equivale a mais de 37 piscinas olímpicas cheias e rendeu uma conta de R$ 2,2 milhões à Terracap, que administra a arena.

Inscrições

A participação no 8; Fórum Mundial da Água ocorre por meio de cadastro no portal do evento. É possível participar de todos os painéis ; com o passaporte para os seis dias ;, comprar um passe para três dias ou adquirir passes diários.
Os valores do primeiro lote : R$ 350 para a entrada diária; R$ 680 para três dias; e R$ 1.138 para o pacote de seis dias. Estudantes têm desconto e pagam R$ 140 no tíquete por dia, R$ 280 no passe para três dias e R$ 455 no passaporte completo.

Para saber mais

Compromissos
Criado em 1996 pelo Conselho Mundial da Água, o Fórum Mundial da Água foi idealizado para estabelecer compromissos políticos acerca dos recursos hídricos. Ele ocorre a cada três anos e já passou por Daegu, na Coreia do Sul (2015); Marselha, na França (2012); Istambul, na Turquia (2009); Cidade do México, no México (2006); Kyoto, no Japão (2003); Haia, na Holanda (2000); e Marrakesh, no Marrocos (1997).

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