O retorno necessário

O retorno necessário

postado em 13/12/2017 00:00
Vem tomando corpo o lento processo de retomada das atividades da Samarco, mineradora responsável pelo rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, que provocou o pior desastre ambiental do país, com 19 mortes e milhares de atingidos. Recentemente, as autoridades ambientais de Minas Gerais deram o seu aval para que a empresa reative a extração mineral na Região Central do estado. Se, por um lado, a decisão traz esperança aos trabalhadores que ficaram desempregados com a suspensão das atividades mineradoras, após a tragédia, por outro lado, mostra que a companhia tem de cumprir todas as exigências dos órgãos ambientais relativas à segurança nas áreas de produção mineral.

Inegável que a economia da histórica cidade de Mariana, primeira capital de Minas, depende da operação da Samarco. Há mais de dois anos ; o acidente ocorreu em 5 de novembro de 2015 ;, o munícipio e outros vizinhos enfrentam grandes dificuldades devido à paralisação da mineradora. Ela gerava 3 mil empregos diretos e outros 3,5 mil indiretos com a extração do minério de ferro. Somente a Samarco era fonte de sustento para 10 mil pessoas na cidade de 55 mil habitantes. E 80% dos impostos em Mariana eram provenientes do setor minerário.

A volta do funcionamento da empresa significa a recuperação das atividades econômicas locais, proporcionando o aumento da oferta de empregos e da arrecadação municipal, o que se reverterá em prestação de serviços essenciais à população. Ou seja, benefícios para todos. No entanto, acidentes como o da Barragem do Fundão, localizada no distrito de Bento Rodrigues, não devem acontecer novamente, pois não se pode conceber a repetição de tragédia de tal magnitude.

Os ambientalistas merecem todo o apoio, quando cobram das mineradoras as obras necessárias para a contenção de rejeitos, com máxima segurança para os que vivem no entorno das represas, não só em Minas, mas em todo o Brasil. É do conhecimento público que, apenas em solo mineiro, existem dezenas de barragens de contenção que não cumprem as normas de segurança exigidas pela legislação. A verdade é que essas barragens continuam colocando em risco a vida de milhares de moradores que vivem em seu redor. Como a fiscalização é precária e em inúmeros casos, inexistente, nenhuma medida concreta é tomada em defesa dessas pessoas, o que desperta grande preocupação.

A devastação é sentida até hoje pelos atingidos pelo tsunami de lama que chegou à foz do Rio Doce, no Espírito Santo, carregando morte e destruição. Não foram apenas vilas e povoados riscados do mapa em Minas. A população, ao longo dos 660 quilômetros até o rio desembocar no Atlântico, continua a sofrer as consequências do desastre. Diante da realidade do setor minerário no país e da dimensão do ocorrido a partir de Mariana, a sociedade tem de estar atenta e vigilante para que desastres como aquele não se repitam.

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