"Ele premeditou o crime friamente"

"Ele premeditou o crime friamente"

Luiz Calcagno
postado em 13/12/2017 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)


Ana Karina de Aguiar, 47 anos, deixou a 6; Delegacia de Polícia (Paranoá), após prestar depoimento, entre a revolta e a tristeza. Ela é mulher de Anderson Ferreira, 49, e mãe de Rafael Macedo de Aguiar, 21, mortos por um vizinho quando saíam de casa na noite da última sexta-feira. Foi a primeira vez que a polícia a ouviu. ;Não disse (ao delegado) nada diferente do que disse antes. Estou aqui para falar a verdade e não tenho motivos para mentir ou me esconder;, afirmou. Ontem, o atirador, Roney Ramalho Sereno, 43, que está preso, foi expulso da Federação Brasiliense de Tiro Esportivo (FBTE).

A mulher chegou à delegacia por volta das 14h40. Deixou a unidade cerca de quatro horas depois. O depoimento ocorreu quatro dias após o duplo homicídio. Ao se referir a Roney, ela reforçou que ;ele cometeu um crime frio, brutal e covarde; e voltou a insistir que a mulher do acusado, Renata Jacob, 42, estava ao lado do marido quando ele executou pai e filho. ;Ela foi cúmplice. Ele (o vizinho) deu cinco tiros nas costas do meu marido e atirou na cabeça do meu filho quando ele se abaixou para socorrer o pai. Estou vivendo uma dor que não desejo nem para o meu pior inimigo;, ressaltou.

Além de Rafael, Ana Karina é mãe de João Victor, 18, e de uma menina de 16 anos. A família deixou o condomínio onde vivia, o Estância Quintas da Alvorada, no Jardim Botânico, por medo. João ainda vai ao local para alimentar os cachorros. ;Está na hora de a Justiça brigar pelas vítimas, e não pelo criminoso. Que ele não tenha benefício. Eu e o meu filho fomos jurados de morte. Se um juiz der liberdade a esse assassino, estaremos correndo risco de vida. Somos vítimas, mas nós é que estamos longe de casa;, reclamou.

Ela também comentou a afirmação de Renata, mulher de Roney, de que Anderson é que teria ameaçado o atirador antes de a briga de vizinhos terminar em tragédia. ;Nunca falamos com o Roney. Todos os problemas que nos causaram foram resolvidos com a administração do condomínio, ao contrário deles. Eu não mudo uma palavra do que eu disse. Não vim à delegacia para mentir e intimidar. Vim para falar a verdade e essa é a verdade: que ele premeditou o crime friamente e assassinou de modo cruel o meu filho e o meu marido;, desabafou.

Reclusão
O Correio conversou com dois vizinhos de Ana Karina. Um deles comparou vítimas e atirador. ;A família de Roney não se misturava. Eles não falavam com ninguém. Já o Anderson era uma pessoa receptiva e gentil, sempre disposta a ajudar. Não consigo ver como ele teria iniciado uma briga;, disse. Outro contou que, certa vez, tentou falar com o acusado. ;Ele levava o filho pequeno para andar em uma moto elétrica em uma pista nas proximidades. Certa vez, eu me aproximei, achei a cena bonita e comentei que o menino seria um bom piloto. Ele estava bebendo e não respondeu nada. Sequer olhou para mim. Desde então, também não tentei me aproximar;, contou.

A reportagem tentou contato com a mulher de Roney, Renata, e também com o advogado do acusado, George Andrade. Ela não atendeu às ligações. O defensor disse, por telefone, que ainda não teve acesso ao inquérito e às provas. ;Por enquanto, fica difícil me pronunciar. Até o fim da semana, isso estará resolvido, mas acredito que a família não deve se manifestar;, conclui. A polícia recolheu na casa do acusado, pelo menos, quatro armas e mais de 30 mil projéteis.





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