DEPOIMENTO

DEPOIMENTO

postado em 13/12/2017 00:00
Virei jantar de percevejos

Na primeira noite hospedada no Grand Hyatt, achei que estivesse com alergia a frutos do mar, porque acordei com algumas bolinhas nas costas. Estava tão cansada que dormi rápido. No dia seguinte, comi frutos do mar mais uma vez, disposta a pagar o preço. A coceira voltou a piorar.;Tudo bem, aceitei isso quando decidi comer aquele ouriço;, pensei. Acendi a luz e comecei a ver bichos e mais bichos no lençol da minha cama.

Liguei na recepção: ;Minha cama está cheia de bichos. Acho que é percevejo;. Sobe um homem com um lençol dobrado na mão. Lembro de ter sentido um pouco de raiva de terem achado que uma roupa de cama nova bastaria. Mostrei a ele e procurei confirmação. Ele não quis confirmar: ;Vou ter que ligar para o meu supervisor;. E ligou. A voz dele mostrava que o assunto era sério. Do outro lado da linha, veio a ordem para me trocar de quarto.

O quarto era do tamanho do meu apartamento em Brasília. O novo era ainda maior. Recebi uma ligação perguntando se eu queria remédio. Respondi que não, mas confesso que eu não fazia ideia se o inseto passava doença. Pesquisei sobre o assunto e enviei uma mensagem à assessora de imprensa relatando o problema, e ela disse que o hotel tinha que cuidar daquilo.

Passei a noite em claro. Usei o secador em meu cabelo e em todas as minhas roupas, nos meus sapatos, na minha mala, como a internet dizia para fazer. Passei pente fino no cabelo. Pedi para um colega contar a quantidade de picadas nas costas. Ele deu uma parada para respirar no 62; e achei que estava no fim. Mas não: mais de cem! Braços e barriga também somavam mais de cem.

No café da manhã, a assessora me informou que o gerente de marketing do hotel pedia desculpas pelo acontecido e dizia que era a primeira vez que aquilo acontecia. Finalmente, no horário do almoço, encontrei o gerente de marketing. Ele me cumprimentou como se nada houvesse acontecido, mas notei o olhar assustado para minhas feridas. Ninguém me pressionou. Pediram desculpas, disseram que estavam tomando as providências para resolver o problema e que se eu precisasse de algo, era só falar.

Em Brasília, larguei a mala no quintal e fui ao hospital. O médico disse que eu estava realizando a vida dele. ;É bom ter algo diferente no plantão. A gente só vê isso no interior e mais frequentemente em criança;, contou. Explicou como havia pequenos conjuntos de picada no meu corpo e mostrou que eles formam pequenos caminhos. Cada um deles era de um percevejo diferente. Tomei uma injeção de antialérgico no músculo e um antialérgico na veia.

No dia seguinte, mais coceira. Fervi minhas roupas para me livrar de qualquer vestígio do bicho e deixei a mala lá fora. Em um dia ensolarado, deixo-a no sol. (Renata Rusky)


Hotel lamenta episódio isolado

Por meio da assessoria de imprensa, o Hotel Grand Hyatt lamentou o episódio e enviou explicações sobre o fato. Em nota, ressaltou que aquela foi a primeira vez que houve um incidente semelhante e garantiu que a acomodação ; e as acomodações vizinhas ; foram inspecionadas por uma empresa de controle de pragas. ;Todas as acomodações estão seguras;, garante a nota.

;O Grand Hyatt Rio de Janeiro lamenta o ocorrido com a repórter Renata Rusky durante os dias em que esteve no Rio de Janeiro. Ao detectarmos o problema, mudamos a hóspede de quarto imediatamente, demos todo o suporte a ela e iniciamos uma investigação sobre o ocorrido. O que aconteceu tem caráter totalmente extraordinário e todas as providências já foram tomadas. A segurança de nossos hóspedes é nossa prioridade.

Acionamos imediatamente a empresa credenciada para controle de pragas, que realizou o tratamento na mesma hora no quarto em que o problema foi detectado e também nas acomodações localizadas ao seu redor para evitar qualquer risco de contágio. Todas as acomodações estão seguras. A possível causa foi o transporte deste inseto em uma mala de outro hóspede, que estava no hotel no mesmo momento. O inseto resiste a longas viagens e é quase imperceptível pelo seu pequeno porte.

Esta foi a primeira vez que um caso assim foi reportado ao hotel. Seguimos o protocolo de trocar a hóspede de acomodação e dar todo o suporte necessário, incluindo a disposição para custear lavagens específicas ou tratamentos necessários. Assim que tomamos conhecimento do fato, acionamos a empresa de controle de pragas para as ações necessárias.



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