Baixas em efeito dominó

Baixas em efeito dominó

Limite para que os ministros-candidatos entreguem os cargos em abril estimula a fila dos demissionários. Para o Planalto, o melhor para as reformas é acelerar a debandada

NATÁLIA LAMBERT ROSANA HESSEL
postado em 04/01/2018 00:00

O ano começa com mais um pedido de demissão de um ministro do governo de Michel Temer. Desde 8 de dezembro, foram três baixas: Secretaria de Governo, Ministério do Trabalho e da Indústria, Comércio Exterior e Serviço. E a reforma ministerial não deve parar por aí. A tendência até abril é de que mais nomes deixem os cargos, considerando que a data é limite para os que pretendem concorrer a cargos eletivos. Entretanto, interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que o presidente não pretende esperar até lá para promover a reforma ministerial.


São 14 nomes na lista dos que devem abandonar o barco do governo para se candidatar a cargos eletivos: 10 deputados federais, dois senadores, um presidente de partido e um potencial candidato à Presidência da República. Como a maioria deve sair mesmo, o presidente prefere que saiam logo para que a reforma ministerial possa ajudar na aprovação da reforma da Previdência. A prioridade do governo, neste momento, é alterar as mudanças nas regras das aposentadorias em fevereiro na Câmara e, em março, no Senado. ;A saída dos ministros abre espaço para negociar com a base aliada e garantir os votos necessários;, comenta um interlocutor do governo.


O único que tem liberação do Planalto para ser o último a sair é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Cotado para ser o nome que defenderá o legado do presidente Michel Temer na disputa presidencial, Meirelles é o fiador da reforma da Previdência, então, ele precisa permanecer à frente da Fazenda até que ela seja aprovada na Câmara e no Senado. ;Se ele sai antes de aprovar, ele mina o apoio à reforma dentro do Congresso. O mercado precisa continuar confiando na equipe econômica e na continuidade do ajuste fiscal. O ministro é o pilar dessa confiança;, reforça um aliado governista.

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