Novo recurso da defesa de Lula

Novo recurso da defesa de Lula

Advogados pediram que ex-presidente seja ouvido antes do julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Alegam que o interrogatório em primeira instância foi viciado, pois %u201Co juiz (Sérgio Moro) dirigiu a ele perguntas estranhas ao processo%u201D

DEBORAH FORTUNA Especial para o Correio
postado em 04/01/2018 00:00

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o pedido para que o petista seja ouvido pelo Tribunal Regional da 4; Região (TRF-4). Dessa vez, a solicitação é para que ele seja atendido antes do dia 24 de janeiro, data marcada para ocorrer o julgamento de segunda instância, em Porto Alegre. Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13; Vara Federal de Curitiba, a nove anos e seis meses de prisão, em julho do ano passado. Em nota, a defesa afirma que interrogatório feito no dia 10 de maio foi ;totalmente viciado, pois o juiz dirigiu a ele perguntas estranhas ao processo e não permitiu ao ex-presidente exercer o direito de autodefesa com plenitude;.


Apesar da assessoria não confirmar oficialmente e garantir que não há ;nenhuma previsão de ida a Porto Alegre;, a expectativa é de que o ex-presidente compareça ao julgamento. Segundo o ex-líder do partido na Câmara, Carlos Zarattini (PT-SP), tudo depende das próximas decisões da Corte. ;Provavelmente sim (ele vai), mas depende de algumas decisões, se ele vai poder participar ou assistir, e como vai ser tudo isso;, comentou o deputado. Outros deputados do PT estarão presentes nos atos em Porto Alegre.


Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no processo que investiga o caso do tríplex no Guarujá (SP). Se condenado, pode se tornar inelegível ao cargo de presidente nas eleições de outubro. Mesmo com todas as especulações a respeito da presença do petista no julgamento, as manifestações a favor de Lula já começam a dar os primeiros passos, e prometem mobilizar caravanas de todo o país. Nas redes sociais, a sigla clama pelo apoio popular e pede a união de deputados para as mobilizações previstas para começarem na próxima semana. A expectativa é que as elas comecem a tomar fôlego a partir do dia 13, número representativo para o partido.

Democracia
Os deputados alegam que as manifestações devem mobilizar toda a população em ;defesa da democracia; nas ruas de diversas cidades brasileiras. Além do apoio ao ex-presidente, o partido quer pressionar o Judiciário, ao alegar que tanto a condenação quanto o curto período para o julgamento do recurso foram decisões injustas. ;Cabe a nós, petistas, democratas, progressistas, e àqueles que lutam pelo estado democrático se manifestar contra essa situação;, disse a senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), em discurso durante o vídeo promocional das manifestações do partido.


Apesar da expectativa de uma grande mobilização nos próximos dias no estado , a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) disse que a pasta ainda vai estudar, em parceria com outros órgãos estaduais e federais, como será realizada a segurança dos manifestantes na região. Ainda não há, oficialmente, o número do efetivo de policiais deslocados para o evento.


O deputado Bohn Gass (PT-RS) também criticou ;a parcialidade do judiciário quanto à celeridade seletiva, em julgar nesse período;, e garantiu que as manifestações devem ocorrer em muitos lugares do país. ;As concentrações estão sendo orientadas no país afora. Acreditamos que Porto Alegre vai ser o foco, com caravanas, com presença de lideranças populares, dos movimentos sociais, dos artistas. Esse ato manifesta a luta que nós temos que fazer pela justiça e pela democracia;, afirmou. ;Lula pode perder a eleição, isso é democrático. Mas ele não pode ser impedido de concorrer;, comentou. Quanto à possível participação de Lula no julgamento, o petista afirma que ;não é o tema do movimento;. ;Obviamente que as pessoas querem encontrá-lo, mas, neste momento, não é nosso tema central. O que nós queremos é ver o povo se manifestando. Se ele estiver ou não, não é o tema central;, concluiu.

Réu em cinco processos

O caso do tríplex do Guarujá é o mais adiantado dos processos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, em primeira instância, a nove anos e seis meses de prisão.Ele é réu em outros cinco processos ; dois em Curitiba e três em Brasília. Outras três denúncias ainda não foram avaliadas pela Justiça.
No caso do tríplex, o juiz Sérgio Moro entendeu que o ex-presidengte é o real proprietário do imóvel no Edifício Solaris, no valor de aproximadamente R$ 2,4 milhões. E que teria recebido o apartamento da construtora OAS em troca de vantagens para a empreiteira.

Sítio

Ele ainda é acusado de ser dono de um sítio em Atibaia, oferecido a ele pela mesma OAS e pela Odebrecht. Esta última também estaria envolvida na compra de um apartamento em São Bernardo ao lado do que Lula mora e da cessão de um terreno para construção da sede do instituto que leva o nome do ex-presidente.


Outras acusações contra Lula: influência no BNDES para concessão de empréstimos a empreiteiras; edição de medidas provisórias para beneficiar construtoras; e obstrução de Justiça.

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