Nas ruas, em defesa do aiatolá

Nas ruas, em defesa do aiatolá

Depois de uma semana de protestos contra o regime iraniano, com 21 mortos e centenas de detidos, milhares marcham em apoio ao regime islâmico, que anuncia o "fim da sedição" no país. EUA estudam a adoção de novas sanções contra Teerã

postado em 04/01/2018 00:00
 (foto: Mohammad Ali Marizad/AFP)
(foto: Mohammad Ali Marizad/AFP)


Exibindo cartazes contra os ;agitadores;, em referência aos manifestantes que na última semana realizaram incansáveis protestos contra a situação econômica e política do Irã, milhares de pessoas saíram ontem às ruas de várias cidades do país em apoio ao governo. ;Oferecemos a nosso Guia o sangue que corre em nossas veias;, gritavam, numa referência ao aiatolá Ali Khamenei. Enquanto isso, o chefe dos Guardiães da Revolução, general Mohamad Ali Jafari, anunciava ;o fim da sedição; no país, em referência aos protestos que deixaram 21 mortos e centenas de detidos.

O clima era, sem dúvida, bem mais tranquilo. Apenas alguns protestos esporádicos em cidades de província aconteceram durante a madrugada de ontem, mostraram vídeos difundidos nas redes sociais. Um grande contraste com as noites anteriores, de grandes mobilizações. A presença policial era igualmente menos ostensiva na capital, Teerã, do que nos dias anteriores.

Retaliação
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump prometeu apoio ao povo iraniano ;quando chegar o momento;, mas se negou a dar mais detalhes sobre alguma iniciativa nesse sentido. Um alto funcionário da Casa Branca, no entanto, afirmou à agência France Presse que Washington analisa a possibilidade de adotar sanções contra elementos-chave do governo do Irã pela repressão aos protestos.

;Estamos analisando todas as opções;, disse a fonte, destacando que Trump tem autonomia para aplicar sanções a pessoas envolvidas em violações dos direitos humanos, censura, e que impedem a liberdade de reunião.

O funcionário americano acrescentou que a Casa Branca ;usará toda informação que temos à disposição sobre quem é responsável pela repressão, quem está violando os direitos humanos, quem usa violência contra os protestos;. A embaixadora americana na Organização das Nações Unidas, Nikki Haley, pediu reuniões de urgência sobre o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova York, e no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Toda a classe política iraniana ; reformistas e conservadores ; se posicionou contra os protestos desencadeados em 28 de dezembro em Mashhad, a segunda cidade do país, marcados pela violência e pela destruição do patrimônio público. Teerã acusou ;contrarrevolucionários; com sede no exterior de fomentar os distúrbios.

Nas mobilizações de ontem, os manifestantes pró-regime pediam ;morte aos Estados Unidos;, ;morte a Israel; e ;morte a Monefagh;, termo que designa a opositora Organização dos Mudjahedines do Povo do Irã. A TV oficial mostrou imagens de multidões se manifestando nas cidades de Ahvaz (sudoeste), Arak (centro), Ilam (oeste), Gorgan (norte) e Kermanshah (oeste), Qom, entre outras. Novas manifestações pró-governo estão previstas para hoje em Ispahan e em Mashhad.

Desde o início, as autoridades iranianas tentam minimizar o movimento, o mais significativo desde 2009, contra a reeleição do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, que foi violentamente reprimido. O chefe dos Guardiães da Revolução afirmou que o número de manifestantes ;não havia superado 15 mil pessoas em todo o país;.

Nas ruas de Teerã, muitos habitantes disseram compreender os motivos dos protestos, em um país com uma taxa de desemprego que atinge 40% entre os jovens. Mas, ao mesmo tempo, condenaram as violências. Outros iranianos rejeitaram o discurso oficial de que os protestos são obra de potências estrangeiras.

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