Treta na timeline e expulsão

Treta na timeline e expulsão

Fotógrafo da equipe de Holly Holm é expulso de eventos do UFC após se referir à campeã Cris Cyborg de forma preconceituosa em rede social

MARIA EDUARDA CARDIM Especial para o Correio
postado em 04/01/2018 00:00
 (foto: Sean M. Haffey)
(foto: Sean M. Haffey)

Após ser ofendida nas redes sociais por um fotógrafo da equipe da lutadora norte-americana Holly Holm, Cris Cyborg pediu por uma punição do Ultimate Fighting Championship ao profissional. A reação do UFC foi rápida. A maior franquia de lutas de MMA do mundo baniu o fotógrafo que se referiu à campeã da categoria peso-pena como sendo um homem, em um post no Instagram.


O comunicado da organização informou que Mark Aragon não terá acesso aos próximos eventos da franquia. ;O UFC está ciente e incomodado com o comentário recente feito nas redes sociais por um representante da Jackson Wink MMA, academia de Albuquerque, Novo México, relacionado à campeã peso-pena Cris Cyborg. O UFC não tolera as observações usadas;, diz a nota.


Após a derrota de Holm para Cyborg, na madrugada do último domingo, Mark Aragon, fotógrafo da equipe Jackson Wink MMA, mesma academia de Holm, postou uma foto da lutadora brasileira com um texto no qual a identifica como homem. ;Este cara é duro pra caramba. Dito isso, na coletiva de imprensa, ele disse que Holly foi a primeira pessoa que fez seu nariz sangrar;, declarou o fotógrafo na legenda da publicação.


Cyborg se manifestou por meio de sua conta e cobrou um pedido de desculpas e a punição pela atitude do profissional. ;Não é aceitável que um representante oficial da Jackson Wink MMA me chame de transgênero na sequência da minha luta. Espero uma desculpa ou que sua capacidade de obter credenciais para futuros eventos do UFC seja afetada por essas ações;, comentou a curitibana.


Explicações
Após a confusão, Mark apagou a publicação e postou uma nova foto para pedir perdão. No texto, ele pede desculpas à brasileira e diz que foi tomado pelas emoções e está ;envergonhado;. Antes disso, o fotógrafo tenta se justificar dizendo que escutou coisas nos bastidores que o incomodaram. ;Na volta da arena para o hotel, peguei o mesmo ônibus que Cyborg e sua equipe. Ouvi eles rindo e Cyborg xingando Holly;, justificou.


Mark aproveitou e pediu desculpas aos membros da equipe que foram afetados pelo post. A Jackson Wink MMA publicou no Facebook um texto em que defende o fotógrafo. De acordo com o comunicado, Mark fez um comentário ;impulsivo; depois de escutar Cyborg zombando de Holm nos bastidores do evento. ;Há uma história sobre a razão de ele ter feito o comentário. Após a vitória de Cyborg, ela foi ouvida nos bastidores por Mark xingando Holly e rindo de uma foto, na qual o dedo da brasileira estava no olho de Holly. Logo, Mark entrou em defesa da nossa lutadora. Ele lamenta colocar a Jackson Wink nesta posição;, diz a nota publicada.

Análise da notícia

Mais respeito
O ano é 2018, e impressoras 3D reproduzem órgãos humanos e imprimem próteses, e a convivência com robôs começa a se tornar algo comum dentro de lojas e casas. Ao mesmo tempo, há quem ache que a quantidade de músculos é capaz de definir o gênero de uma pessoa. A aceitação da mulher em esportes que exigem mais da musculatura do corpo humano é um debate antigo. Fisiculturismo, boxe, rúgbi, luta greco-romana, são alguns dos exemplos nos quais comentários de preconceito e machismo podem ser vistos. A rápida decisão do UFC pela expulsão do fotógrafo Mark Aragon é necessária para que as ofensas, muitas vezes chamadas e vistas como brincadeiras, acabem. Ou para que, pelo menos, se pense duas vezes antes de fazê-las. As encaradas na pesagem, as brincadeiras e as provocações fazem parte do universo da luta. A falta de respeito, não. (MEC)

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