Choro canção com sotaque feminino

Choro canção com sotaque feminino

A cantora Nilze Carvalho, que participou da revitalização da Lapa, é a atração de hoje e amanhã no Espaço Cultural do Choro

Irlam Rocha Lima
postado em 04/01/2018 00:00

Nilze Carvalho participou ativamente do movimento de revitalização artística da Lapa. Como vocalista e bandolinista do Sururu na Roda levou cariocas e turistas a voltarem ao tradicional bairro boêmio, no centro do Rio de Janeiro, para assistir às apresentações do grupo, do qual fazia parte também seu irmão, o cavaquinista e percussionista Sílvio, atualmente radicado em Brasília.


Em carreira solo há dois anos, a cantora, compositora e instrumentista está de volta à cidade para apresentações hoje e amanhã, às 21h, no Espaço Cultural do Choro, pelo projeto Clube do Choro Convida. ;Desta vez trago para o brasiliense o show Choro canção, que, em dois sets, interpreto alguns clássicos do gênero e outras canções adaptadas para esse estilo;, anuncia Nilze. Ela tem a companhia de Hudson Santos (violão 7 cordas) e Netinho Albuquerque (percussão).
O Choro canção foi o projeto que a artista fluminense (ela nasceu em Nova Iguaçu) criou em 2017. ;No Rio, fiz o show no Centro de Referência da Música, na Tijuca; na Casa do Choro, na Rua da Carioca, no centro; e na Sala Baden Powell, em Copacabana, e tive boa acolhida do público. Aí, quis trazê-lo à capital, onde sempre fui recebida com carinho pelos brasilienses;, frisa.


No ano passado, em fevereiro, a cantora esteve na cidade para um pré-carnavalesco no Outro Calaf. ;Foi uma festa bem animada, comandada pelo bloco Mulheres do Zeca, do qual faço parte ao lado de Renata Jambeiro, Dayse do Banjo, Janaina Moreno, Bia Aparecida e Dorina, criadora do grupo. Antes, havíamos nos apresentado na Acadêmicos da Asa Norte;, conta.
Com o projeto Choro canção, Nilse está de volta à origem. ;Comecei minha carreira musical aos cinco anos de idade, tocando choro. Dos 11 aos 14 anos, gravei, como bandolinista, a série de LPs Choros de menina, em quatro volumes. No primeiro e no quarto, fui acompanhada pelo mitológico conjunto Época de Ouro, que tocava com Jacob do Bandolim;, lembra. ;À época, participei de um espetáculo em homenagem a Waldir Azevedo, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional de Brasília, quando conheci o Hamilton de Holanda e o irmão dele Fernando César, que formavam o Dois de Ouro;, acrescenta.
Para criar o show, ela fez pesquisa aprofundada e reuniu no repertório composições de vários períodos. Há desde a emblemática Flor amorosa, de Joaquim Antônio Callado, tido historicamente como ;o pai do choro;, que recebeu letra de Catulo da Paixão Cearense, a De mais ninguém, dos contemporâneos Marisa Monte e Arnaldo Antunes. ;Vou cantar também os clássicos Curare (Bororó) e 1x0, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, que ganhou letra de Nelson Angelo; Meu caro amigo, de Chico Buarque; e Evocação a Jacob, de Avena de Castro e Cristino Ricardo;, complementa.

Serviço
Show da cantora, bandolinista e cavaquinista, acompanhada por Hudson Santos (violão 7 cordas) e Netinho Albuquerque (percussão), hoje e amanhã, às 21h, pelo projeto Clube do Choro Convida. No Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Conveções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.

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