Gargalo nos investimentos

Gargalo nos investimentos

postado em 06/01/2018 00:00

O país tem muito a fazer para destravar o setor de infraestrutura, apesar dos esforços dos governantes atuais e passados para incentivar os aportes financeiros em área tão vital para o desenvolvimento nacional. A demanda por investimentos é enorme, como mostra estudo do GI Hub, organismo criado pelo G20, grupo das 20 nações mais ricas do mundo, que aponta que o Brasil investe somente 56% do que é necessário em infraestrutura. O percentual representa apenas 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que acaba freando o crescimento econômico e inibe a competitividade.


O governo tem tentado fazer sua parte, por meio da retomada do Programa de Parcerias de Investimento (PPI). Balanço divulgado no fim do ano passado mostra que dos 145 empreendimentos qualificados no programa, 70 foram leiloados por meio de renovações, prorrogações antecipadas e privatizações, o equivalente a 48% do previsto. A previsão é de que, com a reativação do PPI, os investimentos cheguem a R$ 142 bilhões e as outorgas, a R$ 28 bilhões, montante insuficiente para cobrir as demandas do setor, como demonstrou o levantamento do G20.


O grande gargalo para a inexistência de mais investimentos, segundo os especialistas, é a falta de projetos bem estruturados, com racionalidade econômica e volume suficientes para atrair capital. Para a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os projetos licitados até o momento foram exitosos em diversas áreas, como exploração de petróleo ; a Petrobras retomou os leilões de campos petrolíferos depois de um bom tempo ; e linhas de transmissão de energia. No entanto, muitas vezes, os projetos são apresentados sem o detalhamento necessário, praticamente no escuro, o que impede sua execução final, acarretando vultosos prejuízos.


O indiscutível é que só haverá a efetiva retomada do setor com a ação do governo, em todos os níveis. Claro está que o avanço do PPI, por meio da participação da iniciativa privada, não é suficiente. É fundamental a definição de prioridades para o país recuperar duas décadas e meia de falta de planejamento por parte de governantes anteriores. A grande questão é que os entes públicos enfrentam sérias dificuldades financeiras, o que deve continuar durante todo este ano. Com o ajuste fiscal em curso, a infraestrutura pode ficar sem os recursos necessários para alavancar o crescimento econômico.
Como disse o presidente da Abdib, Venilton Tadini, ;corre-se o risco de o governo pagar as aposentadorias, mas faltar luz dentro da casa das pessoas;. Previsão que nunca se tornará realidade se houver os aportes no setor. Não se pode negar a seguinte máxima: ;Para uma nação prosseguir em processo de desenvolvimento é preciso manter um ritmo constante de investimentos em infraestrutura;.

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