Suspeita de febre amarela

Suspeita de febre amarela

Vigilante de 58 anos morava em Planaltina e morreu em 3 de janeiro após ser internado no Hospital Regional de Ceilândia. Amostras de sangue serão enviadas para São Paulo para a confirmação da doença

OTÁVIO AUGUSTO
postado em 06/01/2018 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 19/4/13)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 19/4/13)


A febre amarela volta a assustar o Distrito Federal. No intervalo de 40 dias, a Secretaria de Saúde investiga a segunda morte suspeita pela doença. A vítima mais recente é o vigilante Eronde Osmar da Silva, 58 anos. Este é o primeiro caso registrado em 2018. Ele morreu em 3 de janeiro, mas as autoridades sanitárias só divulgaram a informação no início da noite de ontem.

Na próxima semana, amostras de sangue do morador de Planaltina serão enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para a confirmação da doença. O Laboratório Central do DF (Lacem) também faz análises para identificar a presença do vírus. Em ambos, não há previsão para concluir o laudo. Ainda não se sabe se a contaminação ocorreu no Distrito Federal.

Segundo a Secretaria de Saúde, o paciente deu entrada no Hospital Regional de Planaltina em 2 de janeiro. Devido à piora do quadro, o homem foi transferido para a unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde morreu. A vítima apresentava febre, dor no corpo e dificuldade para respirar. ;Ele foi prontamente atendido, realizou exames e, devido ao agravamento do quadro clínico, necessitou ser internado;, informou a pasta, em nota. Ontem, Eronde foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança, em Planaltina.

No ano passado, três pessoas morreram após contraírem febre amarela. Uma delas foi um psicólogo de 43 anos, morador do Sudoeste. A doença foi confirmada pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, no mês passado (leia Memória). Em 2017, foram investigados 86 casos suspeitos de febre amarela em moradores do Distrito Federal. Destes, 83 foram descartados. O restante evoluiu para óbito. Das confirmações, apenas um foi autóctone, ou seja, contraído no DF.

Na última década, 245 pessoas tiveram suspeita de febre amarela na capital do país ; recuo de 8,5% em relação à década anterior, quando ocorreram 268 infecções. No mesmo recorte de tempo, a vacina ficou mais popular. Cerca de 2,4 milhões de habitantes receberam doses do imunobiológico entre 1997 e 2006. O número subiu para 2,8 milhões entre 2007 e 2016, alta de 15%.

Imunização
A imunização contra a febre amarela é a principal medida de prevenção. Aplicada em dose única, a vacina é distribuída gratuitamente nos postos de saúde. O público-alvo são crianças a partir de 9 meses e adultos até 59 anos. Nos últimos anos, a cobertura da vacina no DF é de 95% da população.

A capital federal é uma área de circulação natural de vetores do vírus da febre amarela, como o mosquito Aedes aegypti. Além disso, reúne características territoriais e climáticas que favorecem a disseminação desses insetos. O principal termômetro para a circulação do micro-organismo é a morte de macacos, que, segundo a Secretaria de Saúde, ainda não ocorreu.

Em 2000, houve o surto de febre amarela no Distrito Federal, com 40 registros ; 38 deles de moradores de outras unidades da Federação. Em 2008, foram 13 diagnósticos da doença no DF. Após esse período, não teve mais infecção por febre amarela em residentes na capital federal. Em 2015, três pessoas se contaminaram e duas morreram.




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Total de mortes provocadas pela febre amarela no Distrito Federal no ano passado




Memória

Contaminação na capital federal
O primeiro caso fatal decorrente de febre amarela contraída no Distrito Federal é o de um psicólogo de 43 anos, morador do Sudoeste. A vítima morreu em 27 de novembro. Apesar de estar com a vacina em dia, a suspeita dos médicos é de que o quadro do paciente tenha se agravado por causa da anemia falciforme, doença hereditária e genética caracterizada por uma alteração no formato dos glóbulos vermelhos. Esse foi o terceiro óbito por febre amarela no ano passado na capital federal. Nos demais, a contaminação aconteceu fora do DF. O Correio apurou que o psicólogo havia circulado por condomínios e pela área rural do Jardim Botânico dias antes de 18 de novembro, quando deu entrada pela primeira vez na emergência do Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul, apresentando dores nas costas. Ele foi medicado e liberado. No dia seguinte, o paciente voltou à unidade de saúde, confuso e com fala incoerente. Após receber oxigênio, ele ficou internado em estado gravíssimo, com provável morte cerebral, na unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital.






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