360 Graus

360 Graus

por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 06/01/2018 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


O que espero para o futuro do país
;Meu filho acabou de retornar da região dos Alpes franceses, onde estava fazendo faculdade. Ele me contou que em uma de suas viagens, pelo noroeste da Alemanha, no trem, começou a conversar, em busca de informação, com um jovem. Conversa vai, conversa vem, descobriu que o tal jovem era um graduado em psicopedagogia e que trabalhava como auxiliar de crianças numa escola pública em Dortmund. Basicamente, para cada duas salas existia um profissional como ele, que tinha a função de observar as crianças com maior dificuldade de aprendizado e as tutorar em busca de uma maior eficiência de ensino.

Enquanto escutava, eu me perguntei quando será que chegaremos a esse patamar, sendo que, na maioria das escolas particulares brasileiras, não temos, nem de longe, esse serviço. Acredito que a base de tudo é a educação. Que tudo começa na educação e que nada destrói mais um país do que a falta dela.

No Brasil, vejo que grande parte das pessoas que passaram pelo sistema público educacional, hoje, são analfabetas funcionais. Pessoas que leem, mas que não entendem o que leram. Pessoas que sabem decodificar as palavras, mas que são incapazes de interpretar os textos. Tudo começa com uma boa instrução. Para que um indivíduo trilhe um caminho de sucesso, a educação se faz uma ferramenta essencial.

Depois que meu filho me contou essa história, fiquei refletindo sobre a conjuntura educacional brasileira. Aquilo que veio, inevitavelmente, à minha cabeça foi a necessidade de reestruturacão.

Melhorar a qualidade de ensino no Brasil resultaria em uma maior igualdade entre as classes. Uma educacão pública de qualidade permitiria que as pessoas chegassem ao mercado de trabalho com certa equidade instrutória. Portanto, tendo acesso a uma instrução eficiente, teríamos igualdade de oportunidade entre todas as dissidências sociais, o que permitiria a diminuição da grande disparidade socioeconômica no país.

Um ponto que notei, no dia a dia dos empresários brasileiros, é que mesmo as pessoas na mais alta camada da pirâmide socioeconômica perderam na qualidade de vida por conta da segurança. E essa perda foi extremamente significante, pois a violência aumentou muito nos últimos tempos.

Volto, aqui, a ressaltar a importância da educação, já que os altos índices de violência estão atrelados à piora na educação brasileira e, muitas vezes, até mesmo à sua falta.

Transportando esse problema educacional para a área da saúde, ainda é possível enxergar um cenário pior. Pouquíssimas pessoas têm acesso a saúde de qualidade hoje em dia, apesar da proposta do SUS, por exemplo, se basear nos ideais constitucionais de igualdade e equidade.

A qualidade dos profissionais não evoluiu solidamente, mesmo diante dos diversos meios de diagnóstico e das possibilidades terapêuticas terem melhorado muito com as pesquisas acadêmicas. Hoje, uma pequena parcela de profissionais da área da saúde se destaca, e esta é insuficiente para dar à população, o serviço que ela merece ter.
A péssima qualidade do ensino público brasileiro faz com que, muitos profissionais, inclusive aqueles da área da saúde, deixem o país em busca de melhor qualidade de aprendizagem, empregabilidade, vida, etc.

Essa ;fuga de cérebros; dificulta a evolução da qualidade de diversos serviços, já que as pessoas capacitadas e aquelas em construção de conhecimento não estão mais disponíveis para trilhar esse caminho.

É por isso que defendo, acima de tudo, uma melhor política educacional. É por esse caminho e só por ele, que acredito que conseguiremos alcançar tudo aquilo que desejo para o meu país no futuro.;

José Antônio Rios
Cirurgião buco-maxilo facial

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