Aula real

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Primeira-ministra faz mudanças na equipe ministerial forçada pela renúncia do vice e aposta em uma composição que, além de reafirmar a sua autoridade, ajude a conduzir a saída dos britânicos da União Europeia

postado em 09/01/2018 00:00
 (foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)
(foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)


A primeira-ministra britânica, Theresa May, iniciou uma reforma no governo motivada pela renúncia do vice-primeiro-ministro, Damian Green, que, em dezembro, admitiu ter mentido sobre imagens pornográficas descobertas em seu computador. Com a remodelação, que não atingiu os grandes nomes do gabinete, May também pretende reafirmar sua autoridade, abalada com a derrota nas eleições legislativas de junho de 2017, que a deixou sem maioria na Câmara dos Comuns. O novo governo terá ainda a missão de definir uma posição para as negociações com a União Europeia (UE) sobre o período de transição para a saída britânica do bloco. ;Obviamente, a partida de Damian Green antes do Natal significa que algumas mudanças devem ser feitas, e eu vou fazer algumas mudanças;, disse a premier à rede BBC.

O início da reforma coincide com a retomada da atividade parlamentar após o recesso natalino, e a chefe de governo pretende concluir as mudanças ministeriais ainda hoje. Ficou acertado, a princípio, que o secretário de Estado de Imigração, Brandon Lewis, ficará à frente do Partido Conservador, em substituição a Patrick McLoughlin, desprestigiado com a derrota eleitoral de junho passado. No entanto, o partido anunciou, no Twitter, que o eleito era o até agora ministro dos Transportes, Chris Grayling, antes de apagar rapidamente a postagem. Além disso, foi confirmada a saída, por motivos de saúde, do ministro para Irlanda do Norte, James Brokenshire, quando completa um ano sem governo na província pelas diferenças entre republicanos e unionistas.

A remodelação não afeta os grandes nomes do governo, como os ministros das Relações Exteriores, Boris Johnson, ex-prefeito de Londres; do interior, Amber Rudd; do Brexit, David Davis; e das Finanças, Philippe Hammond. Por outro lado, devem ocorrer substituições nos ministérios da Educação e da Saúde. Conforme o escritório da residência oficial da primeira-ministra em Downing Street, estão previstas ainda alterações entre secretários de Estado.

;Os pró-Brexit Boris Johnson e David Davis continuam em seus cargos, embora a primeira-ministra não confie neles para dirigir o substancial dessas negociações;, avaliou, um editorial no Evening Standard, comandado atualmente por George Osborne, ex-ministro conservador das Finanças. O rearranjo ministerial será também uma oportunidade para Theresa May diversificar seu gabinete com políticos mais jovens, representantes de minorias étnicas e mulheres ; atualmente, elas são apenas seis entre os 23 integrantes do governo.

Pornografia
A reforma tornou-se urgente em dezembro, quando a primeira-ministra forçou Damian Green a apresentar sua renúncia depois que uma investigação interna do governo concluiu que ele violou o código de conduta ministerial ao fazer declarações ;inexatas e enganosas; sobre a descoberta de material pornográfico em seu computador na Câmara dos Comuns em 2008.

Essa investigação interna foi aberta em novembro, depois que a jornalista e ativista conservadora Kate Maltby reclamou que o então secretário teve uma atitude ;inadequada; com ela durante algumas reuniões de caráter privado. Green era um forte aliado e homem de confiança de Theresa May e a conhece desde a juventude, uma vez que ambos estudaram na Universidade de Oxford.

A reforma ministerial promovida pela primeira-ministra vai preparar o governo para novas rodadas de negociações sobre o Brexit, que incluirão a futura relação comercial entre o Reino Unido e a União Europeia, assim que o país deixar o bloco, em 2019. Em virtude do acordo sobre a primeira fase, alcançado em dezembro, em Bruxelas, serão garantidos os direitos dos cidadãos comunitários que vivem no Reino Unido. Por sua vez, Londres pagará uma soma considerável pelo ;divórcio;, e a fronteira entre a Irlanda do Norte e República da Irlanda continuará sendo invisível.



Charlotte vai
para a creche




Com 2 anos e meio, chegou o momento de a princesa Charlotte ir para a escola. A caçula do príncipe William e da duquesa Catherine, que terão o terceiro filho em abril, começa a frequentar ainda este mês a Willcocks Nursery School, situada perto do Palácio de Kensington, em Londres, onde vive com os pais e o irmão mais velho, George, 4 anos. Para anunciar a novidade, os serviços da família real britânica distribuíram fotos de Charlotte sorridente, posando em uma escadaria. Fundada em 1964, a Willcocks Nursery School é um estabelecimento privado, que promove a ;excelência e os bons modos;, ao custo de 5.500 euros por trimestre em período integral. Oferece no currículo, além das disciplinas obrigatórias, aulas de iniciação à dança, música e francês.


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