As esperanças que deram certo

As esperanças que deram certo

Última reportagem da série sobre os talentos candangos em 2008 mostra exemplos de atletas que conquistaram evidência nacional e até internacional, como o marchador Caio Bonfim e o saltador Ian Matos

Victor Gammaro*
postado em 09/01/2018 00:00
 (foto: Daniel Leal-Olivas/AFP - 13/8/17 )
(foto: Daniel Leal-Olivas/AFP - 13/8/17 )


Nem só de promessas que ficaram pelo caminho no esporte de alto rendimento foram preenchidas as páginas do Correio há uma década. Apesar das dificuldades de patrocínio, há quemse tenha destacado e conquistado resultados expressivos na carreira. No último dia da série especial sobre as promessas candangas de 2008, apresentamos alguns exemplos de atletas exitosos em competições adultas nacionais e internacionais.

Caio Bonfim é um dos exemplos. Aos 16 anos, era o titular da lateral esquerda do time juvenil do Brasiliense. O sonho de ser jogador de futebol estava perto de se tornar uma realidade. O menino de Sobradinho não media esforços: deslocava-se por 40km, até Taguatinga, onde o Jacaré treinava. Porém, no caminho até o campo, a mãe, Gianetti Sena, heptacampeã nacional de marcha atlética, sugeria a substituição das chuteiras pela sapatilha. Foi com essa história que a então promessa Caio Bonfim apareceu nas páginas do jornal em março de 2008. Ano após ano, o brasiliense mostra que a troca do campo pelas pistas foi acertada.

O atleta nascido e criado na capital federal vai contra a tendência de outros competidores da cidade, que preferem procurar outros ares quando atingem o alto nível. ;Eu sempre me senti confortável em Brasília, sempre fui muito apoiado aqui, nunca pensei em sair. Já tive convites para treinar fora e continuar representando Brasília, mas recusei. Eu quero fazer parte disso tudo;, conta o marchador, de 26 anos.

Em agosto de 2017, Caio Bonfim conquistou a primeira medalha da história da marcha atlética brasileira num evento relevante da modalidade. Ele foi bronze no Mundial de Londres, na prova de 20km, a mesma que lhe rendeu o quarto lugar na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, e a terceira colocação nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

Caio Bonfim enxerga um cenário complicado na capital, mas resiste a colocar a culpa pela cultura enfraquecida nas autoridades públicas. ;Não podemos transferir tudo para o governo, o buraco é mais embaixo. O menino tem de estudar ou ser atleta, o sistema educacional não está pronto para esse momento;, diz ele, crítico da falta de apoio de empresas particulares na cidade. Em 10 anos de carreira, o brasiliense só teve patrocínio privado em 2017, de um laboratório.

Mesmo com medalhas importantes e resultados expressivos no currículo, Caio Bonfim está longe de parar. ;Eu ainda sou novo, bati na trave no Rio, mas ainda falta muito;, ressalta. Sobre as expectativas que eram colocadas em cima dele havia uma década, deixa a humildade de lado. ;Acho que vocês acertaram. Falaram que eu tinha chance de ir aos Jogos Olímpicos, e fui. Falaram que eu poderia popularizar a marcha, e acho que estou no caminho certo;, comenta.

* Estagiário sob a supervisão de Cida Barbosa

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