Mercado mantém otimismo

Mercado mantém otimismo

» ANTONIO TEMÓTEO (Colaborou Hamilton Ferrari)
postado em 09/01/2018 00:00

Indiferente às discussões sobre o rombo fiscal, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve ontem o 11; pregão consecutivo de alta e subiu 0,39%, o que fez o Ibovespa, principal indicador dos negócios, atingir 79.378 pontos, nova máxima histórica. Foi a melhor sequência de alta desde junho de 2010. O otimismo se estende também para o exterior: o risco Brasil caiu para 146 pontos, o nível mais baixo desde setembro de 2014. E o dólar encerrou o dia bem-comportado, com leve alta de 0,15%, cotado a R$ 3,24 para venda.

Analistas citam os juros baixos, com viés de queda, e a inflação controlada, permitindo maior poder de compra dos brasileiros, como alguns dos motivos do clima positivo do mercado. Mas, por enquanto, não houve uma recuperação consistente da economia e os indicadores ainda estão longe de recuperar o patamar de antes da crise, iniciada em 2014. Ao fim de 2018, o país terá o quinto ano consecutivo de deficit nas contas públicas, o que deve se repetir em 2019 e 2020, segundo a equipe econômica. E o governo corre o risco de não cumprir a regra de ouro, o que deixaria o presidente da República sujeito a responder por crime de responsabilidade.

Na avaliação do economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, o otimismo dos investidores é influenciado pelo cenário internacional. As principais economias do mundo crescem com inflação e juros baixos, o que favorece aplicações em países emergentes. Campos Neto alertou, porém, que o grande teste do humor dos investidores está marcado para 24 de janeiro, quando uma sentença do Tribunal Regional Federal da 4; Região pode tirar da corrida eleitoral o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é bem-visto pelo mercado.

Além das questões políticas, o economista lembrou que eventual novo adiamento da votação da reforma da Previdência, marcada para 19 de fevereiro, deve trazer mais volatilidade aos mercados. ;Os investidores ficarão cada vez mais atentos ao cenário eleitoral, que está muito indefinido. Tudo isso trará incerteza para o país;, destacou.

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