É só futebol, não é?

É só futebol, não é?

postado em 09/01/2018 00:00

Neymar: 222 milhões de euros. Coutinho: 160 milhões de euros. Mbappé: 180 milhões de euros. Dembelé: 140 milhões de euros. São cifras que, se convertidas, chegam quase a R$ 3 bilhões, de quatro jogadores de futebol de dois países: Brasil e França. Neste espaço, há pouco tempo, foi discutido como as ;leis sociais; funcionam de forma diferente para essa modalidade. Naquele caso, a questão era moral e ética. E continua sendo. É óbvio que o esporte mexe com paixões, conta histórias de superação, ajuda comunidades. Entretanto, é impossível que qualquer ser humano olhe para os montantes acima e não pense: ;Parece que há algo errado;. Os rapazes citados merecem tanto? O sofrimento e a alegria de torcedores valem tanto?


A companheira Cida Barbosa, subeditora de Esportes e que utiliza este espaço com maestria, costuma ter uma frase simples e perfeita quando a modalidade ultrapassa as quatro linhas ; em caso de brigas e mortes, por exemplo: ;É só futebol;. E por mais que o futebol tenha importância gigantesca no imaginário e na cultura nacionais, as quantias milionárias conquistadas por uma minoria de atletas, técnicos e dirigentes são de deixar um simples trabalhador embasbacado. O que faz a imaginação alcançar Marte quando se pensa se esses salários e transações atingissem profissões, digamos, elementares na existência humana.


Por exemplo, a contratação de um médico brasileiro pelo melhor hospital da Alemanha por 90 milhões de dólares, com vencimentos mensais ultrapassando 1 milhão de dólares. Ele merece? Claro! Tem a mão mais segura na hora de fazer uma cirurgia torácica no mundo... E aquele professor francês, disputado por universidades do mundo inteiro, e que uma instituição inglesa pagou 100 milhões de dólares para ficar com ele? Vale muito, afinal, ninguém conhece mais sobre teoria econômica no planeta, e o sistema didático criado por ele foi copiado por todos.


Que fique claro: não há nenhum desmerecimento no trabalho feito por Neymar e cia. O ideal é que os melhores em cada profissão ganhem salários enormes. O ideal, entretanto, não existe. E o que nos resta é ter a cabeça no lugar e chegar à conclusão de que nosso valor para o mundo ; ou pelo menos para as pessoas que estão ao nosso lado ; não é definido por uma holerite ou pela cifra paga pelo nosso ;passe;. O resto é só futebol, não é?

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