Visão do Correio

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postado em 19/01/2018 00:00


Colocações fora de hora

As surpreendentes declarações da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do Partido dos Trabalhadores, de que gente morreria se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse preso, devem ser repudiadas com vigor, principalmente no momento em que os ânimos se acirram com a proximidade do julgamento, em segunda instância, da liderança maior do petismo. O que se espera de uma senadora da República é a responsabilidade e o bom senso na defesa da normalidade do funcionamento das instituições. Bravatas como essa em nada contribuem para a normalidade da vida democrática, ao contrário, é lenha flamejante a alimentar a fogueira do radicalismo.

Ao proferir tal ameaça, a petista extrapola todos os limites republicanos aceitáveis, quando tenta constranger, de forma ofensiva, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4; Região (TRF-4), que vão, semana que vem, confirmar ou não sentença de nove anos e meio de prisão contra o ex-presidente Lula, no caso do tríplex do Guarujá, proferida pelo juiz Sérgio Moro, condutor da Operação Lava-Jato. Magistrados, inclusive, vêm recebendo ameaças através das redes sociais, o que demonstra o clima de hostilidade desencadeado pelos apoiadores do petista.

De nada adianta o Partido dos Trabalhadores e seus asseclas distribuírem ameaças para todos os lados, pois é dever do Judiciário julgar dentro dos preceitos legais, e qualquer que seja a decisão tomada pelos magistrados do TRF-4 é obrigação de todos aceitá-la e cumpri-la, sob pena de colocar em risco a estabilidade democrática. Afinal, pressupõe-se que na democracia decisão da Justiça tem de ser acatada.

Os defensores de Lula, principalmente o seu partido, têm todo o direito de apresentar recursos contra decisões contrárias ao réu, mas não podem, definitivamente, dizer previamente que uma decisão da Justiça só será legítima se coincidir com as suas posições. O PT e seus seguidores agem de maneira antidemocrática quando bradam, de antemão, que uma condenação do réu em segunda instância não será aceita. Na verdade, é uma clara afronta ao Estado democrático de direito, o que certamente é repudiado pela maioria da população brasileira.

Não se discute o direito de qualquer cidadão se expressar e de divergir, o que é garantido pela Constituição. Mas declarações como as da parlamentar paranaense tornam-se inaceitáveis. Elas mostram o caráter autoritário e intolerante da presidente do PT, além do seu apetite em incitar a violência. Também fica inequívoco o questionamento da legitimidade do Judiciário.

O que se espera é que, no julgamento do recurso de Lula na quarta-feira que vem, em Porto Alegre, seus apoiadores ajam de forma civilizada e respeitem as leis, evitando qualquer tipo de confronto. Claro está que os desembargadores responsáveis pela confirmação ou não da sentença de primeira instância não se deixarão influenciar por qualquer ação estranha aos autos. A expectativa é de que o julgamento transcorra num clima de tranquilidade e, acima de tudo, que a democracia e a lei sejam respeitadas.





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