Ode a Clara Nunes

Ode a Clara Nunes

Depois de fazer sucesso no Rio de Janeiro, musical Deixa clarear celebra repertório da cantora nos palcos da capital federal

Adriana Izel
postado em 19/01/2018 00:00
 (foto: Mariah Almeida/Divulgação)
(foto: Mariah Almeida/Divulgação)






Após muitos pedidos na internet, a capital federal recebe pela primeira vez a encenação do espetáculo Deixa clarear, musical sobre Clara Nunes, com duas sessões amanhã no Teatro Unip, na Asa Sul. Montagem idealizada e protagonizada pela atriz Clara Santhana, a peça surgiu em 2013, ano em que se completou 30 anos da morte da cantora.

;O que me inspirou a criar o espetáculo foi a minha própria admiração pela Clara Nunes. Eu já vinha pesquisando a figura dela há algum tempo, por me identificar com os temas que ela cantava. Fui percebendo que ela tinha uma força e um discurso que me interessava e que casava com o que penso do fazer artístico. Ela virou uma grande estrela, mas sempre se manteve ;pé no chão;, simples. Decidi fazer essa homenagem;, lembra Clara Santhana em entrevista ao Correio.

Apesar de contar a história de Clara Nunes, a montagem não é uma biografia. ;É um mergulho no que acredito ser a essência de Clara Nunes, principalmente, nos temas que ela cantou, como a miscigenação, a cultura afrobrasileira e os orixás. É um espetáculo musical belíssimo;, garante a atriz.

O musical revisita 18 canções do repertório de Clara Nunes, todas apresentadas ao vivo por Clara Santhana. Para viver a xará, a atriz mergulhou na história dela escutando a discografia, lendo a biografia e indo até Caetanópolis, cidade da região de Paraopeba (MG) onde a artista nasceu. ;Fiz um mergulho na figura da Clara Nunes em vários sentidos, tanto técnico quanto pessoal. Parte da preparação foram as pesquisas. Fui até Caetanópolis e conversei com a irmã mais velha da Clara. Fui ao memorial, que é um museu com peças, figurinos e troféus da cantora. Tecnicamente, me preparei com aulas de canto. Fisicamente, preciso estar bem, porque é um espetáculo cansativo, com muita dança e fala. Tem que ter energia;, completa Clara Santhana.

Além da encenação de Deixa clarear, musical sobre Clara Nunes, a noite contará com a comercialização do DVD do espetáculo. O material, lançado pela gravadora Biscoito Fino, conta com imagens da peça, além de um minidocumentário com depoimentos de pessoas ligadas à infância de Clara Nunes e membros da velha guarda da escola de samba Portela.



Pérolas do repertório
O canto das três raças (Paulo Cesar Pinheiro/ Mauro Duarte)
Na linha do mar (Paulinho da Viola)
Morena de Angola (Chico Buarque)
Um ser de luz (João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte)
O mar serenou (Candeia)



Contando a própria história
Isabella de Andrade
Especial para o Correio

A história da Carroça de Mamulengos, família de artistas que já rodou mais de um milhão de quilômetros com apresentações ao redor do país, será contada no espetáculo Janeiros, nos palcos da Caixa Cultural. Acompanhada por caixas e bonecos, a trupe que se aventura com teatro na estrada, acostumou-se a chamar de lar o lugar em que está reunida. O grupo que aprendeu com a vida a fazer de todo lugar uma casa é formado por avós, pais, filhos, netos e bonecos.

;Minha maior alegria é ver minha filha em cena comigo desde o nascimento, poder compartilhar com ela bonecos que eu brinquei, vê-la integrando a minha história e se dedicando desde pequena com tanto encanto;, conta Maria Gomide, uma das atrizes e integrantes da Carroça.

A atriz defende que a arte tem a possibilidade de criar olhares diferentes para o mundo. Ela conta que a chegada de cada novo filho que integra a trupe é acompanhada de novas experiências pessoais e diferentes criações cênicas.


SERVIÇO
Janeiros
Teatro Caixa Cultural Brasília (SBS, Q. 4, Lt 3/4). Hoje, às 20h, amanhã e domingo, às 17h. Ingressos a R$ 10 (inteira) e
R$ 5 (meia). Classificação livre.






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