O homem invisível

O homem invisível

MARCOS PAULO LIMA marcospaulo.df@dabr.com.br
postado em 01/02/2018 00:00
Outro dia, fiz um teste de ;ser-humanidade;. Ao deixar a minha filha na escola, eu me dei o trabalho de observar quantos pais e crianças dariam, no mínimo, uma boa tarde ao porteiro, aquele senhor estacionado perto da catraca, responsável por controlar o acesso ao colégio.

Cheguei cedo e dei início ao scout. Parei as minhas contas depois que 30 pais ou responsáveis pelos meninos e meninas passaram pela catraca. Sem exagero: apenas oito disseram pelo menos ;oi; ao simpático, mas ignorado bedel.

Uns passavam com o pescoço curvado, hipnotizados. Olhavam fixamente para a tela do celular com uma das mãose puxavam a mochila dos pequenos com a outra. Se tropeçassem nos pés do porteiro, provavelmente seriam capazes de culpá-lo pelo acidente.

Perdi as contas de quantas vezes o porteiro disse ;boa tarde; a quem transitava pelo local. Por educação ou protocolo, o bedel continuava fazendo o seu papel. Chegou a estender a mão a alguns na tentativa de cumprimentá-los, mas rapidamente recuava para não perder o braço.

Como costumamos dizer, a ;correria; do dia a dia nos impede de transmitir um pouquinho de calor humano. Só temos tato para deslizar os dedos na tela do celular. Houve casos também de quem estava sem o telefone na mão, mas, mesmo assim, passou pela catraca como se ali não estivesse ninguém.

E assim as nossas crianças vão entrando na escola... Assimilando bons (e maus) exemplos de relacionamento interpessoal. A propósito, em tempos de volta às aulas: você sabe o nome do porteiro da escola do seu filho?





Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação