ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 01/02/2018 00:00
Gasolina pior para os reclamões

Houve tempo em que o governo federal podia resumir sua gestão com o lema: ;Governar é abrir estradas;. Mas isso foi 90 anos atrás, quando Washington Luís usou dessa frase durante a inauguração da primeira rodovia construída no país ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis ,em agosto de 1928.

De lá para cá, com poucas variações, seguimos teimando em interligar o país apenas por rodovias asfaltadas, amarrando nossos destino e desenvolvimento às boleias dos caminhões, indiferentes às mudanças do tempo. Houvéssemos optado, no século passado, pelo transporte ferroviário em larga escala, sem dúvida alguma estaríamos muito mais à frente em termos de desenvolvimento econômico.

Nenhum país desenvolvido pode alcançar esse estágio econômico prescindindo do transporte ferroviário. Não seria exagero dizer que as ferrovias formam o principal e mais básico eixo de infraestrutura capaz de alavancar e garantir o progresso. Não é por acaso que é, de longe, o principal meio de transporte de cargas e de pessoas daqueles países.

Ao atrelar a economia brasileira, fundamentalmente, às rodovias, imediatamente, passamos a depender do petróleo e de seus derivados, do pneu do caminhão ao asfalto das próprias rodovias. Com a formação dos cartéis internacionais do petróleo no fim dos anos 1970, passamos de dependentes dos combustíveis fósseis a reféns dos grandes produtores, tipo Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Mesmo ao nos tornamos um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo, prosseguimos, por outras vias, dependentes e amarrados à indústria petrolífera, principalmente agora com a flutuação diária dos preços do produto no mercado internacional.

O tempo é delicado com a descoberta de que a estatal brasileira (Petrobras) foi usada e abusada por governos passados para financiar partidos e políticos de todas as matizes ideológicas, dentro do maior escândalo de corrupção de nossa história. Exaurida e depauperada ao máximo por verdadeiras quadrilhas, a Petrobras amargou os maiores prejuízos desde sua criação.

Obviamente, por nossa dependência crônica desses derivados, fomos chamados a reparar os danos econômicos causados à estatal, na forma de aumentos espetaculares nos preços dos combustíveis. Sob o argumento de flutuação dos preços no mercado internacional, o que os brasileiros e os brasilienses, de modo particular, têm experimentado é a surpresa na variação de preço sempre para cima, fazendo com que nossos combustíveis, inclusive o gás de cozinha, se situem entre os mais caros de todo o continente.

Em 2017, o valor médio do litro de gasolina subiu 9,16% para uma inflação anual registrada em 2,9%, ou seja, três vezes mais. O pior é que esse quadro não tem perspectiva de melhora, pois novos aumentos não estão descartados. Como miséria pouca é bobagem, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizou agora, a venda em todos os postos de abastecimento da gasolina do tipo ;formulada;, que vem a ser a gasolina combinada com outros 200 solventes. Mais barata, com menos rendimento, mais poluidora e muito mais danosa para os motores dos automóveis. Esta será a opção aos consumidores que reclamam.

É o preço que todos os brasileiros têm de pagar para tapar o rombo deixados pelas gestões passadas recentes e pelas opções feitas no início do século passado, ao amarrar nosso destino ao ouro negro, desconhecendo a lenda que fala da maldição do petróleo, e que a Venezuela, nossa vizinha e uma das maiores produtoras do planeta, é um exemplo vivo e atual.



A frase que foi pronunciada

;É assim que o mundo termina. Não com um estrondo, mas com a choradeira.;
T.S.Eliott





Leitor
; ;Há muito venho falando e denunciando o abandono do nosso Lago Norte, o que eu chamo de ;paraíso abandonado;. A realidade do bairro é exatamente o que está contido no artigo. Se não bastasse o descaso do governo, existe ainda a falta de senso de alguns moradores que, sob o argumento da falta de segurança, cercam seus lotes com plantas espinhosas e agressivas que invadem as calçadas e obrigam os pedestres a se expor aos riscos de serem atropelados.; Missiva de Augusto Evaristo Borges.


Novidade
; Com o advento da internet, a questão dos direitos autorais se tornou incontrolável. O poderio do Ecad suscitava desconfiança por todos os lados. Depois de uma CPI, na Câmara, e outra, no Senado, constatou-se que, apesar de ter sido criado pela Constituição, o Ecad não tinha o mínimo de transparência. Agora, o ministro da Cultura, Sá Leitão, habilitou outras entidades para gerir os direitos autorais dos artistas. São elas, além do Ecad: Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), Associação de Músicos Arranjadores e Regentes (Amar), Associação de Intérpretes e Músicos (Assim), Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (Sbacem), Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais (Sicam), Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais (Socinpro) e União Brasileira de Compositores (UBC). Dividir a verba e dobrar a transparência é o que se espera.





História de Brasília
Já começaram a chegar à Esplanada dos Ministérios as primeiras máquinas paralisadas de Brasília. (Publicado em 13/10/1961)





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