May nega motim conservador

May nega motim conservador

Em visita à China, onde busca opções comerciais para o Reino Unido depois de consumada a saída da União Europeia, premiê britânica descarta a ideia de renunciar e minimiza rumores sobre revolta na bancada governista no parlamento

postado em 01/02/2018 00:00
 (foto: Andy Wong/AFP)
(foto: Andy Wong/AFP)


A primeira-ministra britânica, Theresa May, negou a existência de revolta interna no Partido Conservador e descartou qualquer hipótese de renúncia, em resposta a jornalistas que a acompanhavam em voo para a China, onde foi buscar alternativas comerciais a uma eventual concretização do Brexit ; o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE). A pressão pela renúncia parte de 40 parlamentares, em resposta ao mau desempenho da legenda nas eleições de junho de 2017. Convocadas pela própria May, elas custaram ao partido a maioria no parlamento e obrigaram a premiê a governar em coalizão. Os aliados também criticam os rumos da negociação do Brexit e o recente vazamento de um relatório oficial que alerta para possíveis prejuízos para a economia caso o país oficialize a saída da UE.

;Em primeiro lugar e acima de tudo, eu sirvo ao meu país e ao meu partido. Não sou uma pessoa que desiste e há um trabalho de longo prazo a ser feito;, disse May. ;Ele consiste em melhorar o acordo do Brexit, em garantir que recuperemos o controle do nosso dinheiro, das nossas leis e das fronteiras, que possamos assinar acordos comerciais com o resto do mundo. Mas é também sobre a agenda doméstica;, acrescentou.

May tentou amenizar o mal-estar causado pelo vazamento do relatório interno, que prevê perdas econômicas de até 8% com a eventual saída do país da UE. O documento, elaborado pelo ministério encarregado do Brexit, foi divulgado na segunda-feira pelo site Buz-zfeed, horas antes de a Câmara dos Lordes (câmara alta do parlamento) iniciar a análise do projeto de lei que trata da saída do Reino Unido do bloco econômico europeu.

Na conversa com os jornalistas, a primeira-ministra reiterou que o documento vazado traz uma ;análise inicial; e ainda não foi aprovado pelos ministros. May anunciou que os parlamentares receberão uma análise conclusiva assim que o acordo com a UE for efetivado, antes de uma votação que lhes permitirá aceitar ou rejeitar o pacto negociado. A votação, ainda sem data marcada, será um momento potencial de conflito no processo do Brexit.

May está na China, na primeira visita ao país desde que assumiu o cargo. Ela viajou a convite do primeiro-ministro Li Keqiang, para uma agenda que inclui reuniões com líderes políticos e econômicos em Pequim, Xanguai e Wuhan. De olho no pós-Brexit, ela foi acompanhada de 50 empresários, incluindo executivos da montadora Jaguar Land Rover, que, recentemente, processou uma montadora chinesa por copiar seus automóveis.

A premiê disse que pretende reforçar o melhor período das relações comerciais entre os dois países. ;É um bom momento para refletirmos e reforçarmos a ;idade de ouro; entre Pequim e Londres;, afirmou, ao lado do anfitrião. ;Estamos decididos a aproximar ainda mais nossas relações comerciais.; Está prevista, durante a viagem, a assinatura de contratos no valor total de até 9 bilhões de libras.

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